Uma frota insuficiente para fazer a ronda ostensiva na porta das escolas públicas de Franca é mais um problema para pais, professores e Polícia Militar na luta contra traficantes em porta de escolas. Para as 56 unidades de ensino estaduais, existem oito carros designados para o serviço. Nessa matemática não se inclui o trabalho preventivo em escolas municipais e particulares.
Em uma conta simples, cada veículo teria de operar em sete escolas ao mesmo tempo. As dificuldades não param por aí. Os horários de entrada e saída são simultâneos em todos os estabelecimentos. Esses dois períodos são os de maior aglomeração de alunos.
Estudantes de quatro escolas estaduais - “João Marciano de Almeida”, “Prof. Ângelo Gosuen”, “Prof. Pedro Nunes Rocha” e “Sueli Machado Silva” - comentaram que já notaram o tráfico acontecendo antes da entrada ou após a saída.
“Nunca será suficiente (o número de viaturas)”, reconheceu o comandante interino da 5ª Cia da Polícia Militar, Max Wilson. O governo do Estado reduziu em 26% o orçamento para a Ronda Escolar e não há previsão de novas viaturas.
Na região da 5ª Cia há 32 escolas do Estado e o plano de trabalho é um carro fazer rondas em oito locais. Na área da 1ª Cia, onde foi apreendida maconha dentro da Escola Estadual “Ângelo Gosuen”, a situação não se altera. São 24 unidades de ensino médio para serem atendidas pelas quatro viaturas disponíveis.
Quanto ao número de homens, os comandos informaram que há apenas um para cada viatura. O tenente Roberto Carlos Bispo Severo, comandando interinamente a 1º Cia, explicou que um sistema de rádio-comunicação possibilita o contato com outros carros para pedido de reforço.
Para os dois oficiais, ações como o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas) serve para suprir a ação ostensiva. Ele é desenvolvido semestralmente com crianças da 4º série e deverá atender entre 12 e 16 escolas neste semestre.
ESTATÍSTICAS
Uma das justificativas da PM para ter o quadro atual de viaturas da Ronda escolar baseia-se nos números de ocorrências registradas. Em fevereiro, as duas Cias tiveram 19 casos envolvendo tráfico, furto, roubo e depredações.
Apesar do índice aparentemente baixo, os comandos assumem que o número pode não representar a realidade. “Nós temos o balanço dos casos atendidos, mas possivelmente pode ocorrer as que não tem comunicação”, disse o comandante da 5ª Cia, tenente Max.
O presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado), Luiz Gonzaga, afirmou nesta semana que o Estado “orienta” os professores a resolver o problema de drogas internamente. Isso porque o envolvimento policial degradaria a imagem das escolas. (RC)
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