O ápice das crises


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Alfredo Palermo A Nação toda estava há muitos dias envolvida numa crise política especial: as acusações que parlamentares e jornalistas vinham fazendo ao comportamento do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em virtude de denúncias sobre sua participação em reuniões suspeitas na “república de Ribeirão Preto”, sediada em Brasília, ilha do poder. E as acusações foram de tal monta e a sua autoria com testemunhas tão radicais que o ministro sucumbiu, após três anos e meio de trabalhos funcionais, na área maior da administração federal: sua demissão, reclamada pela oposição no Parlamento e em editoriais da imprensa, com pormenores sobre os fatos e sua repercussão, tudo ocorrido na tarde do dia 27. Todos os canais de comunicação, especialmente o rádio e a televisão, deram farto noticiário, ouviram colegas do ministro, deputados, capitães da indústria e outras fontes. A demissão de Antônio Palocci era o ápice da segunda grave crise política que se abatia sobre o País, sendo primeira, a do “Mensalão”. O ex-ministro Palocci teve, em sua vida política, grande participação operacional na eleição do presidente Lula, comandando a batalha eleitoral e financeira do Partido Trabalhista. Tinha experiência: prefeito, por duas vezes, de Ribeirão Preto, conhecia o “métier” profundamente. Tinha muitos amigos, muitos companheiros, muitos colegas de batalhas eleitorais e de administração municipal. Sua investidura no Ministério da Fazenda, se foi recebida com reservas por ele ser médico, calou os críticos porque, vencendo velhos problemas econômicos do Brasil, deu força e apoio à produção agrícola e industrial, calcificou o PIB, pagou o FMI, cortou verbas de desperdício e deu ao País uma posição de relevo na economia internacional. Lula, o chefe, sempre se rejubilou com êxitos de seu “primeiro-ministro”, alheio às denúncias da parte sombria de Palocci, como já fizera na crise do “Mensalão”. As ondas cresceram: Burati, seu ex-auxiliar mas infiel, o acusara de receber propinas, quando ele era prefeito. Outros orquestravam a corriola. Até que, um dia, um jovem chamado Nildo, antigo motorista ou garção, magoado porque não fora reconhecido pelo ministro, deu o tiro de misericórdia: “Ele mentiu, eu vi o ministro, mais de 20 vezes, com amigos naquela casa em Brasília. E rolava muito dinheiro....Tentaram descobrir uma salvação em certo depósito em dinheiro na conta de Nildo. Foi um carnaval de ataques. Palocci sentiu a violência do ataque e num discurso perante grandes industriais, acabou dizendo: “O Brasil voa em sua economia, mas eu estou num inferno de Dante...”. Agora, deixando o Ministério, Palocci se livra do “inferno” das críticas, mas terá que enfrentar sua dignidade pessoal perante a Justiça. E não faltarão ataques ao presidente, na verdade, o único amigo que sempre se manteve fiel a seu auxiliar. Luiz Inácio da Silva, calado, só pode desfiar a lembrança de suas crises: a corrupção do PT, a grossa fraude do “mensalão”, a traição dos amigos, os perigos de uma CPI e, agora, a demissão de Palocci, o “intocável”. Pergunta-se: na campanha da reeleição, o presidente terá forças para enfrentar os vários fogos a serem siderados pela oposição? ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.

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