Sem papas na língua


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Na opinião do novo secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, atender pacientes dos municípios da região “é importante”; ele ressalva, entretanto, que “Franca vai quebrar se continuarmos sozinhos com a con
Na opinião do novo secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, atender pacientes dos municípios da região “é importante”; ele ressalva, entretanto, que “Franca vai quebrar se continuarmos sozinhos com a con
<p>Paulo Godoy<br />Da Redação<br />O veterinário Alexandre Ferreira inicia nessa segunda-feira sua terceira semana à frente da Secretaria de Saúde de Franca. Designado pelo prefeito Sidnei Franco Rocha (PSDB) para ocupar a pasta, substituiu o médico Eduardo Sandoval, cuja inapetência para o cargo o colocou em um limbo administrativo. Diferente no estilo, Ferreira pretende imprimir ritmo novo no trabalho com a equipe que, agora, dirige. “Não sei ficar atrás de uma mesa, sem ter contato com as pessoas”, disse ele. Apesar da disposição do novo secretário, a cartilha pela qual ele terá que rezar é a mesma de seu antecessor. A diferença, ao menos por enquanto, é que Ferreira não esconde que seguirá as determinações do gabinete de Rocha. Nesta entrevista, o secretário fala de metas, rebate as críticas sobre sua nomeação e, sem papas na língua, manda o recado: “Aqueles que quiserem ficar, que fiquem para trabalhar”.  </p> <p><strong><em> Comércio da Franca - O quê do Eduardo Sandoval você não adotaria? Que prática dele você não acha interessante?</em><br />Alexandre Ferreira</strong> - O Eduardo é uma pessoa muito boa, mas isso acabou permitindo certas coisas que eu não gostaria de ver repetidas. Em certas situações ser bonzinho não vem ao caso; você tem que avaliar as pessoas e as coisas tecnicamente. A população precisa disso. Eu dou valor às pessoas, mas elas precisam entender que existem outras pessoas que dependerão da minha decisão. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Como é seu método de trabalho?</em> <br />Ferreira</strong> - Eu não tenho perfil para ficar atrás da mesa. Não posso ficar aqui e não ter contato com as pessoas, com os funcionários. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Há, nessas primeiras semanas, certa ânsia de autoridade, de mudar o que vê de errado ou que julga assim?</em><br />Ferreira</strong> - Não. Existe uma instituição chamada Secretaria de Saúde que tem suas próprias regras. Eu não posso passar por cima do que outros profissionais fazem. Senão eu quebro a autoridade e a autonomia das pessoas que trabalham comigo e aí vira o caos, fragiliza. Não posso deixar que comecem a centralizar tudo em mim porque aí eu estou perdido. Não sou centralizador. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Não respondeu. Serão ou não tomadas atitudes para mudar comportamentos, procedimentos...</em><br />Ferreira</strong> - Ninguém aqui, nem secretário nem os imediatos, tomará qualquer atitude sozinho; tudo será decidido em grupo. Algumas vezes, alguém poderá ser contra, mas se o grupo decidiu por uma situação, aquele que foi contra terá que acatar. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Isso não engessa a Secretaria?</em><br />Ferreira</strong> - Existem situações pontuais, em que, para qualquer trabalhador da saúde, o procedimento será o mesmo: abre-se sindicância. Ou criamos um sentimento de moralidade ou não conseguimos fazer nada. Algumas providências eu espero que sejam tomadas sem a intervenção de chefes ou diretores, no sentido de melhorar o atendimento. Mas o macro, o gerencial, será resolvido coletivamente. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Aqueles que hoje ocupam cargos de confiança na Secretaria, permanecerão?</em><br />Ferreira</strong> - Nada muda. Preciso descobrir as habilidades de cada um e colocar essas pessoas no lugar mais apropriado possível. Com o passar do tempo, é óbvio que muitos não vão se encaixar, é natural. Podem não aceitar determinadas situações e decidirem sair... </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Puxando para o lado do prefeito, como é sua relação com ele?</em><br />Ferreira</strong> - O prefeito tem um metodologia de trabalho peculiar. Ele quer resultado e tenho que apresentar resultados. Eu tenho que criar soluções para resolver os problemas dentro da linha do governo, não tem outro jeito. Trabalho sob pressão constantemente. Mas tenho mais medo da pressão da administração que daqui da Secretaria.</p> <p><strong><em>Comércio da Franca - E da pressão do usuário, não?</em><br />Ferreira</strong> - Do usuário não tenho medo. Em relação ao usuário tenho medo de não conseguir dar a ele o que é preciso, uma condição digna ao usuário. Veja, não tenho laço político, partido, nada. Assim, o prefeito não tem obrigação política comigo. Se eu não der resultado para ele e para a população estou fora, nada me segura aqui. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - O que você via no sistema municipal de saúde que não o satisfazia e como pretende mudar agora?</em><br />Ferreira</strong> - As UBSs têm de ser resolutivas, assim como o NGA. O paciente tem que ser acompanhado perto de sua casa e ter seu problema resolvido. É o que eu vejo de mais importante para resolver em pouco tempo. Para isso, os gerentes de unidades já começaram a produzir de forma diferente, começaram a criar uma rotina de responsabilidade para resolver o problema dos pacientes, sem os intermináveis encaminhamentos, que nunca têm fim... o sistema não dá conta. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - O dinheiro para a Saúde nunca dá, segundo seus gestores. Qual o maior vilão nesse aspecto?</em><br />Ferreira</strong> - Os custos maiores estão nas internações. Por isso precisamos tirar o paciente das unidades, reduzir os atendimentos desnecessários, senão ninguém agüenta. Este é o panorama que precisamos mudar. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Por que Cláudio Ortiz saiu?</em><br />Ferreira</strong> - O Cláudio deu sua contribuição. Teve alguns problemas com o Eduardo Sandoval, mas nada que chegue ao ponto de abalar sua imagem. Discordâncias são normais. Nós achamos que nesta situação sua saída seria melhor para todos. É uma baixa importante, mas espero reorganizar o serviço sem ele. </p> <p><strong><em>Comércio da Franca - Antes de assumir, o prefeito Sidnei Rocha disse que a crise na Saúde era menos financeira e mais gerencial. Concorda com isso?</em><br />Ferreira</strong> - O dinheiro da Saúde é insuficiente em qualquer lugar, isso não se discute. O próprio Estado reconhece que é pouco. Agora, com o que temos dá para melhorar? Dá, porque o atendimento primário é barato. O que fica caro são os procedimentos de média e alta complexidades, diagnósticos de alta resolução. É preciso criar um sentimento de prevenção nas pessoas, senão não haverá dinheiro suficiente nunca...</p> <p><strong><em>Comércio - O ex-secretário Sandoval nutria certa simpatia por manter o atendimento às cidades da região. Qual sua posição sobre o assunto?</em><br />Ferreira</strong> - Eu acho que a gestão plena é importante para o município e para a região, mas eu não posso levar a prefeitura à bancarrota por causa dela.<br /></p> <p><strong><em>Comércio - Você acha que os prefeitos da região são irresponsáveis mandando seus pacientes para Franca?</em><br />Ferreira</strong> - Não, não é isso. O atendimento a essas cidades é importante, mas Franca vai quebrar se continuarmos sozinhos com a conta. As prefeituras da região precisam encontrar um jeito de ajudar. </p> <p><strong><em>Comércio - A população queixa-se muito do atendimento nas unidades de saúde. Como a relação entre usuário e funcionário pode ser humanizada?</em><br />Ferreira</strong> - O paciente chega para ser atendido, ele não quer nem saber. Não entende que pode haver gente com mais urgência que ele; a pessoa não suporta esperar. Precisamos dar suporte ao funcionário para que ele tenha condição emocional de controlar as situações. Tem gente que briga por um copo de água. O paciente precisa, no entanto, ser acolhido, ouvido e os funcionários também precisam se sentir importantes. </p> <p><strong><em>Comércio - Você pretende manter-se na presidência do Conselho de Saúde?</em><br />Ferreira</strong> - Pretendo. Não há incompatibilidade. O negócio é que pessoas que perderam a eleição estão questionando isso, mas não há nada que proíba. </p> <p><strong><em>Comércio - Outro questionamento que se faz é o fato de um veterinário ocupar a pasta da Saúde.</em><br />Ferreira</strong> - Sei que perguntam, só que é engraçado porque as pessoas não vêm perguntar diretamente para mim. Minha formação é toda em saúde pública e não tenho problema quanto a isso.</p>

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