Alessandro Macedo
da Redação
Eles são anônimos, praticamente invisíveis. Trabalham sem publicidade, raramente são lembrados, mas o produto de seu trabalho entra na maioria dos lares francanos. Os dados locais dão conta de que são maioria no campo, donos de 76% das terras cultiváveis de Franca. Também representam 77% da população ocupada na agricultura, que é de 5.534 pessoas. Há pouco tempo, sua atividade ganhou o nome de agricultura familiar, de onde se traduz que a subsistência de todos os membros da família está diretamente ligada ao que se produz na terra e ao que dela se retira, seja para consumo próprio ou para venda ou troca. O fato é que os pequenos agricultores de Franca, mesmo incógnitos, são responsáveis por 60% dos alimentos consumidos pela população e representam quase 40% do Valor Bruto da Produção Agropecuária da cidade.
Roni Celso Garcia é um desses “anônimos” que diariamente reservam boa parte do seu tempo à lida na roça. Produtor de hortaliças, mandioca e feijão, ele garante a subsistência de sua família com o que tira da terra. Em sua propriedade no bairro rural de Bom Jardim, apenas o espaço da casa e um pequeno quintal são poupados. Ao lado de Rosa Maria Gonçalves Garcia, sua mulher, e de Luís Matheus, seu filho de 13 anos, ele faz o aproveitamento dos 19 mil metros quadrados. Roni ergueu 12 canteiros onde planta alface, rúcula, almeirão, chicória, salsinha, cebolinha.
Em outro espaço ele mantém covas de repolho, couve, plantas novas de pimentão e jiló. O escoamento da produção, que antes era feito para varejões da cidade, agora também acontece diretamente ao consumidor em feiras supervisionadas pela Divisão de Agropecuária do município. São as chamadas Feira do Produtor. A vantagem deste sistema é, claro, a eliminação do atravessador do processo de vendas. “O preço é melhor tanto para o consumidor quanto para o produtor. No meu caso, por exemplo, eu ganho cerca de 30% a mais vendendo direto ao consumidor e não tenho prejuízos causados por devolução”, explica Roni Garcia.
MELHOR QUALIDADE
A Feira do Produtor é a outra ponta do processo. A Divisão de Agropecuária tenta revitalizar o projeto, que não recebeu incentivos nos últimos anos, mas é uma das frentes de apoio à agricultura familiar no município. Outros órgãos ligados ao governo estadual e federal, por exemplo, também incentivam a manutenção do homem no campo, como o SAI (Sistema Agropecuário Integrado), órgão ligado ao Sebrae, que organiza cursos para ensinar técnicas de manufatura de produtos do campo como forma de agregar valor à produção; a CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), por outro lado, apoia os pequenos agricultores oferecendo assistência de seus técnicos do programa de Microbacias. “O objetivo é capacitar o pequeno produtor para que ele se sustente com a produção de sua propriedade”, disse Joel Leal Ribeiro, técnico da CATI.
Pelo município, agricultores cadastrados em associações locais também recebem apoio. “Temos uma equipe que presta assistência técnica agronômica e veterinária, e dá suporte de maquinário para as três associações existentes no município”, afirma Heitor de Lima, chefe da Divisão. Nas associações do Paiolzinho, Bom Jardim e Furnas do Taveira, os agricultores novamente estão se movimentando para retomar atividades.
SERVIÇOS
Feiras do produtor rural: Capelinha - aos domingos pela manhã (praça da Capelinha, em frente à Igreja); Leporace - sábados e domingos pela manhã (Rua Abrahão Brickman, esquina com a Clóvis Vieira de Andrade); Santa Rita - quartas-feiras pela manhã (Praça ao lado da Igreja Santa Rita); Jardim Francano - sextas-feiras após as 15h (Rua Célio Cerqueira (ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga); Parque Progresso - quintas-feiras pela manhã (Avenida Antônio Luiz Caetano); Parque “Fernando Costa” - sábados pela manhã (Galpões de exposição do Parque “Fernando Costa” - tem também feira do artesanato e do produtor rural).
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