As escolas de Franca estão cada vez mais vazias. No total, a rede estadual perdeu 5.387 alunos nos últimos três anos. Só a “Otávio Martins” perdeu 658 estudantes de 2004 para 2006. Os números são resultado de um levantamento realizado pela Diretoria Regional de Ensino. Dois fatores principais explicam a queda: o envelhecimento da população da cidade, conforme mostra o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e a diminuição da taxa de natalidade. Ou seja, a cada ano nascem menos crianças e a média de idade da população fica mais alta.
Segundo a dirigente regional de Ensino, Ivani Marchesi, esse é um fenômeno social global (ocorre em todo o mundo) e não deve causar espanto. “A tendência é de as famílias terem cada vez menos filhos, dois no máximo. E a redução não é somente por questões financeiras, pois até mesmo os casais com maior poder aquisitivo querem um número menor de filhos”, disse. Os dados do último Censo da Educação Básica, realizado pela Secretaria Estadual de Educação e pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), também apontam como causa para a retração das matrículas nos três anos a diminuição dos índices de repetência.
MENOS RECURSOS
Apesar de natural, a redução preocupa os diretores das escolas. Isto porque as verbas repassadas pela Secretaria Estadual de Educação estão diretamente ligadas ao número de matrículas. Menos estudantes, menos dinheiro. “Se antes gastávamos muito giz ou folha de sulfite, isso não ocorre mais. Hoje, tudo é controlado”, disse Elza Trevisani Secco Nascimento, diretora da “Otávio Martins”, a que mais perdeu alunos em Franca.
Para ela, a “salvação” da escola foi ter passado a funcionar em tempo integral. Com a mudança, a instituição recebe atenção diferenciada com contratação de professores e melhor repasse de recursos. Manter os alunos o dia inteiro dentro da escola é uma das saídas apontadas para evitar o fechamento de instituições. O projeto já passou a valer em nove escolas da região. O projeto, de iniciativa do governo do Estado, prevê que, além das aulas comuns, os estudantes aprendam informática, xadrez, dança, teatro, oficina de música e leitura.
Trocar salas abarrotadas de estudantes por escolas que ofereçam mais atividades para crianças e jovens pode não ser um mau negócio. Segundo a dirigente regional de Ensino, Ivani Marchesi, a saída é justamente essa. “Pelo Plano Nacional de 2001, em dez anos todas as escolas funcionarão em tempo integral”.
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