Escolas públicas. Pontos de tráfico.


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A mãe do adolescente detido com drogas revelou ter visto um dos meninos declarar perante o juiz e a polícia, que alunos fumam dentro da sala, do banheiro e até ‘adulto pula o muro para vender entorpecentes às crianças’
A mãe do adolescente detido com drogas revelou ter visto um dos meninos declarar perante o juiz e a polícia, que alunos fumam dentro da sala, do banheiro e até ‘adulto pula o muro para vender entorpecentes às crianças’
Matemática, português, geografia e crack. História, biologia e maconha. Física, inglês e cocaína. A grade curricular em uma significativa parte das escolas de Franca foi definitivamente ampliada. Nos portões de entrada, em vez de sorridentes professores, dissimulados traficantes a abordar alunos de todas as idades. Durante o dia ou à noite, o entorno das escolas tornou-se campo privilegiado para o tráfico, sobretudo nas unidades estaduais. Nesta semana, a reportagem do Comércio da Franca fez um pequeno itinerário, e visitou cinco escolas em diferentes regiões da cidade, todas à noite, entre 19 e 22 horas. Em três delas, o tráfico era escancarado, facilitado por uma conjunção de fatores e situações, de falta de iluminação à ausência de policiais, que deveriam obrigar o Estado, com seu aparato de repressão, a rever suas estratégias. A detenção de dois menores na terça-feira, a terceira deste ano, apenas confirma o que a sociedade já sabe há muito tempo: a comercialização de drogas nas escolas é freqüente. Surpreendido dentro da sala de aula tentando passar maconha para uma colega de classe, um aluno da 8ª série da escola “Ângelo Gosuen”, foi denunciado a policiais militares, que encontraram o tóxico dentro da mochila do menor. Em conversa com os policiais, indicou outro amigo, desta vez na escola “Suely Machado Silva”, que também portava maconha e de quem teria pego sua porção. Na segunda escola, também dentro da sala de aula, os policiais detiveram uma estudante da 5ª série, com maconha dentro da bolsa. Ele pretendia vender a droga por conta própria, embora afirmasse que não o faria a pedido de ninguém. A maconha teria sido encontrada em uma pista de skate na Vila Aparecida. Da sala de aula, foram para a delegacia e de lá, às 18 horas, direto para uma cela destinada a menores infratores na Cadeia Pública do Jardim Guanabara. A Justiça poderá encaminhá-los à Febem. A prisão dos dois garotos está longe de configurar uma exceção entre estudantes de 12 a 23 anos, faixa em que o consumo de todos os tipos de droga só faz aumentar. Para o delegado-titular da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), João Walter Tostes, o medo em denunciar ainda existe e dificulta a realização de prisões. Por isso mesmo, a unidade policial que comanda montou um banco de dados informatizado para armazenamento de denúncias. Ele funciona para subsidiar investigações, mas não é o suficiente. “Veja a situação dos professores e diretores dessas escolas. Eles denunciam, mas depois ficam lá, sozinhos. Não há como ter um policial em cada escola”.

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