O legado de Palocci


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Jefferson Ribeiro Qual o legado deixado ao País pelo ex-ministro Antônio Palocci Filho à frente do Ministério da Fazenda? Desde a eleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, Palocci se credenciou para conduzir a política econômica do governo federal. A sua gestão à frente do Ministério da Fazenda foi marcada pela clareza no rumo a ser perseguido, firmeza de objetivos e transparência em relação aos instrumentos de política econômica utilizados. É forçoso recordar que os indicadores da economia brasileira no limiar de 2003 estavam em processo de deterioração. A inflação anualizada rompia a barreira dos dois dígitos, o risco-país atingia níveis históricos, passando dos 1.300 pontos, as empresas brasileiras estavam com os créditos externos cortados, o dólar acima dos R$ 4,00, ampliasse o déficit em conta corrente cuja conseqüência foi a necessidade de firmar um empréstimo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para que o Tesouro Nacional conseguisse honrar seus compromissos de curto prazo. Em resumo: a economia pós-real estava na UTI. Coube ao médico de profissão administrar com competência técnica e habilidade política a transição para um novo estágio da economia brasileira. Não houve mágica, não houve planos mirabolantes, não houve alquimias. Mas sim, a clareza das responsabilidades colocadas à frente do primeiro governo de esquerda do País diante de uma conjuntura econômica interna difícil. Anunciou e ancorou a sua ação à frente do Ministério da Fazenda em uma política fiscal rígida, na adoção do câmbio flutuante, na fixação da política de metas de inflação e na estabilização de preços. Os instrumentos de política econômica utilizados e as suas dosagens não foram unanimidade na sociedade brasileira, nem dentro do PT. A política monetária baseada nas taxas de juros acima dos padrões internacionais foi, sem dúvida, o ponto mais sensível para seus críticos, mesmo sendo estas inferiores na média em relação ao governo anterior. A política econômica do governo Lula sob a gestão Palocci teve o mérito de lançar as bases para uma nova dinâmica da economia brasileira com perspectiva de um crescimento sustentável no longo prazo e com distribuição de renda e diminuição da pobreza. Um dos resultados mais relevantes foi a redução da vulnerabilidade externa da economia brasileira. O País, a partir de agora, terá mais tranqüilidade para enfrentar as crises internacionais e adotar políticas de desenvolvimento de seu interesse enquanto nação. Isto pouco é ressaltado, mas é um diferencial importante para os países em desenvolvimento. O Brasil avançou neste campo em função de ações colocadas em prática pelo governo federal. Foi registrado o avanço significativo das exportações brasileiras com agregação de novos mercados, mesmo com o real valorizado em relação ao dólar, gerando uma reserva em dólares importante para a estabilidade de economia brasileira, a redução da dívida externa, redução quase a zero da parcela em dólares da dívida interna (mobiliária), flexibilização para aplicação em títulos públicos por parte dos investidores internacionais. O fato simbólico mais representativo foi a não renovação e a antecipação do pagamento da última parcela do empréstimo do FMI de 2002. O País que a política econômica do governo Lula sob a gestão do ex-ministro Palocci deixa é um Brasil que vai construindo os alicerces de um novo modelo: desenvolvimento sólido com distribuição de renda e geração de emprego. Não é tarefa fácil e nem de curto prazo. Mas o que foi realizado nestes quase três anos e meio é uma mostra do caminho e do projeto que se quer para essa nação, e o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, teve a sua parcela de contribuição e não há como negar a ele este mérito. JEFFERSON RIBEIRO é diretor de Controles Internos da Secretaria de Governo da Prefeitura de Guarulhos (SP) e ex-secretário de Governo, Administração e Planejamento e Orçamento da Prefeitura de Franca (1997/2004).

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