Para empresário, concorrência chinesa é desleal


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Para o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, a concorrência entre brasileiros e chineses no setor calçadista não acontece em pé de igualdade. Além de uma capacidade produtiva monstruosa, com fábricas que chegam a empregar 45 mil pessoas, a mão-de-obra naquele país é abundante (a China tem mais de 1,5 bilhão de habitantes) e os encargos sociais praticamente inexistem. “Há fábrica lá que produz, sozinha, mais que toda a indústria de Franca”, disse Miguel. Outro aspecto que favorece os orientais diz respeito à tributação. Os fabricantes chineses praticamente não pagam impostos ou quaisquer benefícios trabalhistas, como férias remuneradas, décimo-terceiro, FGTS e multa rescisória. E o salário é irrisório. Tanta facilidade permite aos chineses competir com fabricantes internacionais em diferentes nichos, desde a linha mais popular até o esporte-fino, especialidade da Samello. “É muita gente para trabalhar a US$ 40 mensais. Em uma área pequena, são colocadas quatro, cinco beliches, um vaso sanitário e um chuveiro. O funcionário trabalha das 7 horas às 18 horas, come alguma coisa e prossegue até às 22 horas. Isso de segunda a sábado e aos domingos pela manhã, ou seja, ele mora, come e dorme dentro da fábrica por US$ 40 por mês”, relatou o presidente da Samello. Além da concorrência desleal no exterior, empresários e empresas brasileiras, como o francano Lauro Pimenta e a Azaléia, estão introduzindo o calçado chinês no Brasil. Para Miguel, tal medida é perigosa. “Acho que é uma faca de dois gumes, pois há rumores de que tem sapato chinês entrando como contrabando pelo Paraguai. Além de não ter sanções e impostos, o produto ainda chega ilegalmente no País. Assim, não tem jeito de competirmos mesmo”, disse.

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