“Trabalho, trabalho e mais trabalho. No mínimo, 12 horas por dia”. Com esta frase, o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, resumiu como pretende sanear as finanças da empresa e reconduzi-la aos áureos tempos, quando chegou a produzir 8 mil pares diários. Hoje, a produção é de 4 mil pares.
Após 18 meses de administração nas mãos do executivo Renato Furtado - o primeiro a dirigir a empresa que não pertencia à família -, o empresário francano assumiu, em fevereiro, o comando da Samello e promete “arrumar a casa” em, no máximo, dois anos. “Temos planos traçados para os próximos dez anos, mas o primeiro é em curto prazo: em 24 meses, recolocaremos as finanças da empresa em ordem”, disse o representante de uma das mais tradicionais empresas da cidade em todos os tempos. Sobre a saúde financeira da Samello, o empresário confirmou que este é um dos principais pontos a serem combatidos, hoje, pelo grupo. “Nossa situação econômica e patrimonial é privilegiada, mas a dificuldade financeira ainda existe e estamos batalhando para melhorá-la, conseguir recursos e tocar a produção e atender todos os pedidos que, graças a Deus, temos”.
Miguel visitou, na tarde de ontem, o Comércio da Franca, onde foi recebido no “Café do Comércio” pelo diretor-responsável, jornalista Corrêa Neves Júnior, com quem conversou descontraidamente sobre vários assuntos, como queda do dólar, exportações e a “invasão chinesa” no mercado calçadista internacional.
Para Miguel, é praticamente impossível competir com os chineses, que contam com isenção de tributos governamentais, encargos e mão-de-obra extremamente barata. Além disso, produzem uma diferenciada gama de produtos, ou seja, desde sapatos de segunda linha até o esporte-fino, linha forte da Samello. “Tem fábrica lá que produz, sozinha, mais que todas as indústrias de Franca. Imagine só, um bilhão de chineses trabalhando a US$ 40 mensais”, disse o empresário. Outro ponto abordado por Miguel foi a baixa do dólar. Ele explicou que, com a atual situação cambial, a Samello encontra, além dos chineses, a concorrência do calçado italiano, um dos mais valorizados do mundo. “Com o dólar em alta, o valor de nossos produtos para exportação sobe consideravelmente e se aproxima dos preços dos calçado italiano. Aí, a briga é grande”.
BOA IMPRESSÃO
A presidente do Conselho de Administração do Comércio, jornalista Sônia Machiavelli Corrêa Neves, também conversou rapidamente com Miguel Sábio de Mello Neto e disse ter ficado contagiada com o entusiasmo do empresário. “Vejo em suas palavras determinação para seguir o que foi iniciado pelo seu avô e continuado por seus pais, seus tios. Ele é jovem e bem preparado, tem tudo para desempenhar com brilho as funções que agora abraça”, disse a jornalista.
Corrêa Neves Júnior disse que a importância da Samello para a comunidade francana é inquestionável e que a recuperação é uma notícia significativa. “A Samello é um ícone da cidade, um dos maiores símbolos da indústria local. É estimulante ver como Miguel expõe com clareza e transparência os problemas da empresa. Sem lamento, mas com ânimo e determinação. Ele saneará a Samello e a reconduzirá à condição de motor da indústria calçadista francana”, disse o diretor-responsável do Comércio.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.