Uma série de rebeliões ocorridas em diferentes unidades prisionais do Estado de São Paulo durante a semana e vários motins registrados na região deixaram as autoridades locais apreensivas. Em um intervalo de apenas dez dias, três cadeias da região apresentaram problemas. As atenções agora se voltam para a cadeia pública do Jardim Guanabara, a qual está superlotada - mais de 470 presos - e reúne detentos de alta periculosidade.
A polícia suspeita que a onda de rebeliões, atribuída a uma ação coordenada de presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), possa atingir o presídio local. A segurança externa conta com uma guarnição da PM estacionada dia e noite no local. Além disso, os carcereiros estão em alerta máximo. Há ordens até para atirar, caso seja necessário.
Na região, o primeiro motim aconteceu no domingo, 19, quando presos da cadeia de Ituverava se rebelaram e destruíram celas e grades. Eles queimaram colchões e mantiveram estupradores como reféns, sob ameaça de morte. A motivação do violento protesto foi a falta de visitas íntimas no interior das celas. Uma semana depois, foi a vez de os presos de Itirapuã criarem problema. Eles abriram um buraco na cela, mas a tentativa de fuga foi frustrada pelos carcereiros.
Na ocorrência mais recente, verificada terça-feira à noite em Pedregulho, presos tentaram serrar a grade de ferro da janela da cela 3. A polícia descobriu o plano e apreendeu duas serras. Segundo a PM, entre os que tentaram fugir, estavam dois estupradores e Jéferson Lourenço Campos, 20, o qual confessou ter matado os irmãos Carlos Eduardo e Robson Pires, em dezembro passado na região do Jardim Aeroporto.
A situação é tão preocupante que a Polícia Civil fez varredura em cinco cadeias da região na noite de segunda-feira. Coordenada pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), a operação teve a finalidade de avaliar o clima entre os detentos e tentar prevenir rebeliões e tentativas de fuga. Foram visitadas as cadeias de Ituverava, Itirapuã, Miguelópolis, Igarapava e Pedregulho. Os policiais não apreenderam objetos ilícitos e receberam reivindicações dos detentos. Eles estão insatisfeitos com a superlotação, com as condições dos prédios e com o atual sistema de visitas, que permite a presença de apenas dois familiares.
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