O serralheiro Cristiano Batista, 30, mora com os pais adotivos Delcídio Batista, 60, e Ruth Helena, 54, desde os dois dias de vida. O casal decidiu adotar a criança depois de tentar um tratamento para infertilidade que durou mais de cinco anos. “Uma amiga minha soube que o bebê estava sendo doado e me indicou. Foi um grande presente para mim”, disse ontem a mãe. Aos sete anos, o filho soube da adoção e, agora, aos 30 anos, decidiu conhecer sua família biológica. “Sempre quis ter irmãos e uma companhia a mais. Com 18 anos, tive vontade de conhecer meus pais verdadeiros, mas fiquei com medo e pensei que pudesse chatear minha família adotiva. Só agora mudei de idéia”, disse Cristiano.
O jovem e os pais sempre se emocionaram ao assistir as histórias de reencontros em programas de televisão e agora puderam ser protagonistas de uma história semelhante. A decisão de procurar a mãe biológica foi tomada nesta semana após conhecerem mais um caso no programa do Gugu, exibido pelo SBT no domingo. “Ele e o pai assistiram à história de mais uma família adotiva e meu marido me disse que o Cristiano ficou muito emocionado e chorou.
Conversei com ele. Disse que tinha o nome da mãe dele e algumas pistas e que iria atrás com muito prazer”. O sucesso da busca foi surpreendente e a mãe e irmãos já foram encontrados. O rapaz mora na Vila Santa Terezinha e sua família, na Santos Dumont, menos de dez minutos de carro. “Aconteceu mais rápido do que eu esperava. É algo de Deus mesmo”, disse Ruth.
O primeiro encontro com a mãe, irmãs, sobrinhos, primas e uma tia aconteceu, anteontem, e foi muito emocionante. “Estou muito feliz. Nem consegui dormir direito depois. Tenho vontade de contar para todo mundo o que estou vivendo”. O fato de a mãe biológica tê-lo doado, não é motivo para mágoas. “Estou muito tranqüilo em relação a isso. Entendi a situação. Ela já está perdoada”, disse.
O pai biológico de Cristiano morreu, ele tem mais quatro irmãos, sendo uma por parte de pai e mãe e os outros só por parte de mãe.
Eles moram na Vila Santos Dumont. Sua mãe e os outros familiares já tentaram o encontrá-lo. Essas foram as primeiras e algumas das informações obtidas por Ruth, Delcídio e Cristiano sobre a outra família. Outras histórias vividas por cada um ao longo das três últimas décadas poderão ser conhecidas num encontro especial marcado para o próximo domingo. Avós, tios, primas, sobrinhos e outros parentes estarão na festa para se conhecerem. “Não vejo a hora de chegar domingo para conversar com todo mundo. Quero contar tudo o que aconteceu em todo esse tempo”, disse Cristiano.
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