Na visita que fez ao Comércio da Franca, o presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, falou da Fenafic (Feira Nacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados) e sobre a crise pela qual passa o setor calçadista.
Comércio da Franca - O que esperar da 2ª Fenafic?
Abdala Jamil Abdala - Tenho certeza que todo mundo ganhou com a Fenafic no ano passado. Em agosto deste ano a feira acontecerá com certeza com o mesmo profissionalismo. Fazemos de tudo para o engrandecimento desta feira e a cidade terá um evento a altura do mercado. O setor de calçados de Franca terá oportunidade de interagir com a tecnologia e com a moda.
Comércio - O que dizer em relação à crise calçadista?
Abdala - A situação é preocupante. Os fatores que contribuem para o mau momento são o dólar baixo, a concorrência internacional e a carga tributária elevada. Todos trazem um fantasma: o desemprego, que preocupa e muito.
Comércio - A concorrência internacional assusta?
Abdala - Essa concorrência é um problema duplo. Num universo de 200 milhões de pares produzidos por ano, os 17 milhões que entraram no ano passado representam muito pouco. O que assusta é a volúpia com que eles chegam e a inércia do governo em relação aos produtos que são contrabandeados. Para este ano, espera-se que sejam 40 milhões de pares importados. Se não houver sobretaxa, não há como diminuir a invasão. Além disso, no mercado internacional é que está o maior problema. Com o câmbio da forma como está, não dá pra competir internacionalmente com eles.
Comércio - O câmbio é um problema?
Abdala - A desvalorização do dólar perante o real é irreal e traz conseqüências muito ruins para o setor. É inegável que existe uma distorção no câmbio. Ou se ajusta isso, ou o Brasil será exportador de mão-de-obra.
Comércio - O Brasil tem maneiras de sair dessa crise?
Abdala - Fortalecer o mercado interno é uma saída. Num país desenvolvido o consumo de calçados é de sete pares por habitante ao ano. No Brasil, é de três pares. Isso poderia ser dobrado se o poder aquisitivo fosse melhor. Mas, o importante é não parar de trabalhar. Em 1994, quando o Fernado Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República, tivemos uma grande crise e soubemos como sair dela. Agora, não será diferente.
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