Março, mulher, cabelo, maquiagem, política, etc...


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Perpétua Amorim Participei de diversas palestras sobre assuntos relacionados às mulheres, na semana que antecedeu ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Todas elas traziam atrativos especiais, os quais chamavam atenção das homenageadas: desfile de lingerie, moda, noivas, etc. Finalizei no dia 11/3, num jantar para 600 mulheres, organizado pelas prefeituras de duas cidades co-irmãs que margeiam o Rio Grande, na divisa de São Paulo e Minas. Organização perfeita, comida maravilhosa, gente animada, corpos malhados, outros nem tanto, porém todos com a mesma disposição. No palco dois cabeleireiros faziam transformações mirabolantes com a participação do público, ao som frenético de um DJ, enquanto maquiadores completavam o trabalho de transformação, deixando as participantes maravilhosas. Um cirurgião plástico exibia as últimas novidades no campo da medicina estética, seios e bundas perfeitos, lipos impecáveis. Foi uma festa repleta de história, de vida e de esperança, pois dividiam o mesmo espaço meninas de 12, 15, 25, 40, 50, 80 anos com o mesmo intuito de comemorar o dia, as conquistas, as lutas. Na minha viagem de volta, sob um sol escaldante, enquanto o carro dançava entre um buraco e outro, pude analisar com tranqüilidade tudo que vi e ouvi durante a semana anterior. Confesso que fiquei triste, decepcionada com as ditas homenagens. Lutamos e adquirimos espaço numa sociedade machista, acostumada com a mulher servindo e obedecendo, vencemos barreiras de um tempo caduco e ultrapassado em nome de uma liberdade desejada. Hoje somos médicas, pilotos, comandantes, policiais, profissões que antigamente somente os homens com a capacidade imaginária podiam exercer. Vencemos barreiras, sim, mas, infelizmente, continuamos a ser tratadas como cabelo, maquiagem, moda, bunda. Por que será? Acho que gostamos! Se ganhamos posições, é necessário saber mantê-las. A luta não termina aí, ao contrário, tem que ser contínua e sábia. É normal ouvir que mulheres não gostam de política, e isto é real, são pouquíssimas que se aventuram nessa empreitada. Faço parte de um diretório de um partido político, e posso ver com pesar que ainda estamos apenas “cumprido cotas”; as mulheres que lá estão, são por causa dos maridos, regidas por eles, não por gosto ou paixão, não assumimos de fato o nosso devido lugar. Ouço e concordo que a corrupção está fora de controle, que o País sofre devido aos maus políticos. E o que fazemos? Continuamos a ser governadas por “eles”. São os homens que governam e nós continuamos submissas tanto quanto antigamente, só que agora mais felizes e iludidas, pois acreditamos que conquistamos a nossa liberdade. Pobre de nós! Só teremos leis que amparam nossas aspirações quando de verdade forem feitas por mulheres. Um homem não sabe e nunca saberá o que sentimos ao chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho, seja na fábrica ou num escritório, e deparar com um filho doente; depois de levá-lo ao médico, passar a noite inteira ao seu lado e novamente ir trabalhar no outro dia. Um homem nunca saberá o que é trabalhar com TPM. Somente uma mulher entende o que a outra passa e sente. Por isto precisamos de governantes que nos entendam. Temos que nos interessar por política sim, procurar votar em mulheres, eleger vereadoras, prefeitas, governadoras... Vejam o exemplo do Chile: quem governa o país são as mulheres. A presidente nomeou quatro mulheres para as principais pastas do ministério. Só por curiosidade, procure saber noticias do Chile; tenho certeza que muita coisa irá mudar por lá. Pensem nisto, participem mais, votem em mulheres, exijam o seu direito pleno de ser governadas pela sua classe. PERPÉTUA AMORIM é membro da Sociedade dos Poetas Menores e da Academia Francana de Letras.

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