O absurdo das filas bancárias


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Denilson Carvalho Houve um tempo em que iniciar a carreira profissional numa agência bancária era quase inevitável. Contínuo, office-boy ou guarda mirim, a critério da nomenclatura de cada região, o adolescente aprendia a manusear documentos, arquivá-los, efetuar pagamentos em outros bancos, enfim realizava uma série de atividades básicas com vistas a sua permanência na rede bancária. Nos anos 80 o processo de informatização começou a sinalizar dias de crise na categoria, o acelerado processo de substituição das velhas máquinas de autenticação por modernos sistemas on-line capazes de integrar redes inteiras com agências distribuídas em todo o país, fazia crescer a lista de demitidos das agências bancárias. A inevitável modernização trouxe benefícios e comodidade aos consumidores, sobretudo no que diz respeito à agilidade de transferência de recursos entre cidades e Estados brasileiros, algo que só era possível com as ordens de pagamento feitas por telex (os mais jovens nem sabem o que é), hoje peças que servem apenas para a memória dos bancos. Nos últimos dez anos percebe-se um novo momento do sistema bancário com sinais muito fortes de substituição dos postos de emprego por caixas eletrônicos e a expulsão do cidadão para fora da agência bancária. Tendenciosamente os bancos têm investido fortemente na oferta de caixas eletrônicos, em algumas agências temos percebido que os guichês de caixa com funcionários para efetuar o atendimento, foram retirados da vista dos consumidores, instalados em andares superiores e em número sempre pequeno com a flagrante intenção de desestimular os cidadãos. Os lucros dispensam comentários, muito recurso, investimento em máquinas e desemprego na categoria. O respeito ao CDC (Código de Defesa do Consumidor) sendo discutido no Judiciário. Livrar-se dos órgãos de defesa do consumidor seria muito bom para os bancos. Vemos que aos bancos interessam apenas os grandes correntistas que recebem atendimento diferenciado para que se sintam estimulados em deixar o dinheiro aplicado. Atendimento de varejo cumprindo a função social destas instituições não se cogita, inclusive nos bancos públicos; é só observar as novas agências que oferecem apenas três guichês de caixa, no segundo andar, e que, com esta estrutura nunca honrarão a Lei Municipal que estabelece em 15 minutos o tempo máximo para atendimento do consumidor. Novos tempos, máquinas substituindo pessoas e estagiários barrando consumidores antes que entrem nas agências impedindo o acesso aos caixas, negando serviços como recebimento de contas conveniadas, depósitos de pequenos valores, saques, limitando a retirada de valores em discordância com o Banco Central, deixando de entregar cópia do impresso assinado, forçando a venda casada de seguros e títulos de capitalização a quem precisa de dinheiro emprestado, discriminando consumidores que não têm conta corrente na hora do pagamento de contas, enfim, se aproveitando da ineficiência do sistema de fiscalização que deveria ser feito pelo Banco Central e não acontece, afinal alguém tem notícia de banco punido por atender mal os consumidores? Portanto, os bancos extrapolaram todos os limites razoáveis para atendimento ao consumidor. O desrespeito é flagrante! Não basta o banco acreditar que está atendendo bem o consumidor pelo simples fato de instalar assentos confortáveis. É verdade que assentos custam menos que pessoas, porém cumpram a lei, tratem o consumidor com dignidade, atendam no tempo estipulado pela Lei Municipal, aí sim os assentos confortáveis serão bem-vindos. À sociedade cabe conhecer as obrigações dos bancos e cobrar o respeito às Leis e às resoluções do Banco Central, denunciando e apostando em ações que sejam capazes de coibir os abusos. DENILSON CARVALHO é advogado, professor de Direito Administrativo e do Consumidor na Unifran e de Direito Civil na Fafram - Ituverava; foi coordenador do Procon-Franca e secretário dos Negócios Jurídicos da Prefeitura de Franca.

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