A HORA DA BONDADE


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Oportunismo e demagogia às vésperas de eleição fazem parte de um comportamento cristalizado na política brasileira. A poucos meses das eleições, os presidenciáveis começam a distribuir “presentes” para o pessoal do lado de baixo do palanque. Para lançar a integração do bilhete de trem com o ônibus, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito da capital, José Serra (PSDB), passearam de metrô, mas a reivindicação é antiga e já foi promessa de campanha de Serra em outra eleição. Os tucanos estão no governo paulista há 11 anos e jamais demonstraram entusiasmo em implantar a passagem unificada de ônibus e metrô, mas agora que sairão candidatos, o programa sairá do papel. Coincidindo perfeitamente com o calendário das eleições, a implantação ficará completa no início de maio, no momento em que a campanha estará fervendo. A integração é defendida por técnicos e passageiros, mas o que irrita é seu uso político. Para integrá-los será necessário igualar os benefícios. Sendo assim, o metrô deverá baixar de 65 para 60 anos a idade mínima para viajar de graça. Nos ônibus que circulam por São Paulo, os passageiros a partir de 60 anos não pagam passagens desde a administração de Marta Suplicy. No Rio de Janeiro, o salário mínimo criado em 2000 pelo governador Garotinho (PMDB) foi reajustado pela governadora Rosinha Matheus (PMDB), passando de R$ 310 para R$ 351, com um detalhe: esse aumento só vale para a iniciativa privada. De 2000 em diante, sempre que há eleição o mínimo do Rio se distancia do piso, num ato de oportunismo evidente. Às vezes, fico imaginando como podem lançar um candidato tão inexpressivo como Garotinho, que, certamente, serve apenas como contrapeso. Mas nem pensem que essas “bondades” representam altruísmo. É uma pena que tantos benefícios venham carregados de um forte cheiro de bajulação eleitoral e não de política pública. Ana Célia de Freitas é educadora e atua na área de Educação Infantil em Franca

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