Paulo Godoy
da Redação
Advogados do Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) recomeçam hoje a ouvir parte das famílias acusadas pelo órgão de vender madeira retirada ilegalmente do assentamento da Fazenda Boa Sorte, em Restinga. O instituto acusa as famílias de terem negociado mais de R$ 500 mil em madeiras remanescentes de um leilão em 2003. Os assentados negam.
Segundo informações do Itesp de Bebedouro (SP), cujo escritório é responsável por Franca e região, os depoimentos durarão até quinta-feira envolvendo acusados e testemunhas que não haviam comparecido com advogados na primeira fase do inquérito, realizada no final de novembro do ano passado.
Se comprovada a participação das famílias na extração e venda de madeira do assentamento, elas poderão ser processadas judicialmente por desvio de bem público e apropriação indébita, além de perder o direito de continuar no projeto da Boa Sorte.
Os advogados, que virão de São Paulo, Araraquara e Presidente Prudente, começam a ouvir nove famílias a partir das 9 horas. Amanhã e quinta-feira, será a vez de testemunhas dessas famílias.
Os envolvidos, ligados ao MST e ao MLST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Movimento de Libertação dos Sem-Terra, respectivamente), negam que tenham vendido qualquer madeira do assentamento. O produto seria excedente de um leilão realizado pelo Itesp em 2003, que esperava receber R$ 7 milhões pelos troncos de eucaliptos que formavam o Horto Boa Sorte, de propriedade da RFFSA (Rede Ferroviária Federal), o que seria suficiente para quitar uma dívida de energia com a CPFL cujo valor não foi revelado.
A madeira negociada que, segundo o Itesp, pode ultrapassar R$ 500 mil, não chega, na opinião dos assentados, a R$ 100 mil.
Para o presidente da comissão de sindicância do Itesp, Délcio Silva, a culpa das famílias está configurada e o papel do órgão será enviar a conclusão das investigações à Justiça. Ele não foi localizado pela reportagem para falar do processo.
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