Phoenix Lan House, sexta-feira, 22h30. As máquinas estão prontas e os mouses brilham na ausência de luz ambiente. No cenário, quadros com heróis dos quadrinhos e um telão com clipes de rock. De frente para os computadores, momentos alternados de concentração nos jogos e risadas no bate-papo com os colegas.
“Venho jogar e conversar com o pessoal. Me sinto em casa”, diz Welington Nascimento Júnior, 17. Sentado numa mureta, ele desmente a idéia de que o usuário da lan só quer saber de jogar. Mas não esconde o vício. “Já faltei muito na escola, especialmente de sexta-feira. Fiz muito corujão sem meu pai saber”, afirma o estudante do 3º ano do ensino médio.
Conversando com a reportagem enquanto joga, Douglas Costa de Oliveira, 15, não nega a diversão em grupo. “Tenho videogame, mas ficar sozinho em casa não tem graça. Aqui a gente ri junto”, explica, completando que encontrou o lugar ideal para se “enfurnar”. Se quiser fugir do mundo, procure a lan mais próxima. “É mais um esconderijo, quando estou estressado venho para cá e me isolo de tudo”, concorda Welington.
“Rato” da casa desde os 13 anos, Douglas deixa em torno de R$ 120 mensais na Phoenix, só “folgando” no domingo. Corujão é com ele, todas as sextas e sábados. “Bom não é, mas fazer o quê se o vício é maior? Começo de noite e de repente já é dia, nem vejo o tempo passar”, observa o rapaz que venceu a resistência do pai. “Ele não gosta que venho aqui, mas hoje não encana mais”, diz aliviado, lembrando que já trocou muitos compromissos, como festas de família e saídas com os amigos, para escapulir até a lan.
Também viciado convicto (leia mais sobre os perigos do vício no quadro ao lado), Welington não passa do ponto por uma questão de bolso. “Como é meu pai quem paga, ele acaba me controlando”, justifica. Sem perspectiva de prestar vestibular este ano, não lhe falta tempo para seus dois passatempos preferidos: jogar futebol e mergulhar nos games. “Gosto de tudo quanto é jogo desde moleque. Nem sinto o cansaço bater”, conclui, no pique para mais um corujão.
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