Chineses e queda do dólar atingem toda a cidade


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“A situação realmente é preocupante”. É o que diz Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindifran (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca). Os problemas encontrados para abocanhar o mercado externo são a principal explicação para o incômodo. Os calçadistas não vêem muitas saídas e, com eles, os outros setores da economia francana também começam a passar por dificuldades. “Quando o setor sofre, a cidade inteira sofre”, disse o presidente do Sindifran. A baixa do dólar e a concorrência chinesa são os principais fantasmas enfrentados pelos calçadistas no mercado internacional. Em janeiro, o desempenho da exportação de sapatos francanos mostra redução de cerca de 33% em relação a 2005. O valor recebido pelos exportadores também teve redução. Aproximadamente 21% menos recursos foram parar nas contas dos calçadistas exportadores francanos. A solução encontrada pelos empresários, segundo Donadelli, vem sendo reajustar o preço do produto. Em 2003, o preço médio do sapato francano vendido fora do País era US$ 15. Essa quantia apresenta escala de crescimento gradativo desde então e atingiu os US$ 20,86 em janeiro deste ano. Mas o aumento não é suficiente para compensar a perda. Em março de 2003, a cotação do dólar estava em R$ 3,44. Assim, cada par de sapatos vendido representava R$ 51,60. Hoje, comercializado com o exterior, vale cerca de R$ 44, mesmo custando mais caro em dólares. Além do preço da moeda americana, a concorrência voraz que o calçado chinês representa consiste em outra explicação para a queda de 33% nas exportações francanas. Atualmente, um par de sapatos produzido na China chega ao mercado internacional cerca de US$ 5 mais barato do que o brasileiro. Essa diferença pode ser ainda maior caso a curva de ascendência no valor do sapato francano permaneça e dependendo da matéria-prima do calçado. Se o produto chinês for sintético, o preço cai para menos de US$ 5. Essa competitividade imbatível é responsável por uma verdadeira “febre chinesa” no mercado internacional. “O setor está perdendo competitividade”, afirma o presidente do Sindifran.

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