‘Nem telefone toca’, diz vendedor de carros


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O proprietário do Restaurante Arthur’s, Odilon Comodaro, desistiu de abrir o local à noite
O proprietário do Restaurante Arthur’s, Odilon Comodaro, desistiu de abrir o local à noite
Os dias demoram a passar. Poucos clientes entram nas lojas. Menos refeições são servidas. O desemprego, especialmente nas indústrias de calçados, mudou a rotina dos trabalhadores nos últimos meses. O proprietário da Fox Veículos, Márcio Azzuz, é direto ao definir os dias de atendimento na loja de carros usados neste mês: “nem telefone toca”. Para ele, a principal explicação para a retração nas vendas dos veículos é a situação econômica da cidade, que “cessou a procura pelos financiamentos”. Em outro setor, nas lojas de calçados, o clima de paradeiro é o mesmo, inclusive na região central, que costuma concentrar mais consumidores. “Passamos boa parte do dia parados. O jeito é ter fé em Deus para as vendas melhorarem”, disse Maria Helena, gerente da Monalisa Calçados. A Junques Calçados também viveu um janeiro e fevereiro “bem fracos”. As vendas estão mais de 15% abaixo do esperado e a razão apontada se repete: a dependência do setor calçadista. “Franca é uma cidade operária. Se as fábricas estão paradas e falta emprego na área de calçados, o comércio entra no prejuízo também”, disse a gerente Lúcia Neiva. “A expectativa de melhora é com o Dia das Mães”, aposta. Restaurantes consultados no Bairro Santo Agostinho, Jardim Brasilândia, Núcleo Alpha e Vila Chico Júlio são outros a sentir os respingos das dificuldades nas empresas. Numa decisão mais “drástica”, o proprietário do Restaurante e Choperia Arthur’s, Odilon Comodaro, cortou o fornecimento de refeições à noite após registrar queda de 20% no movimento. E não foi só. Ele demitiu metade (oito) dos funcionários do estabelecimento. “Não oferecemos mais o jantar e a regra é redução total de despesas”, disse ele, que está no ramo há 14 anos e classifica o início de 2006 como “difícil”. DOIS INIMIGOS O momento é delicado para videolocadoras. As unidades ganharam dois inimigos de uma vez: a pirataria e crise no principal pilar da economia francana. “Fechamentos de fábricas, demissões e mudanças para outras regiões afetam a locação de fitas sim. Ainda perdemos com as falsificações dos DVDs. Nos dois últimos anos, são 30% a menos de locações”, disse o balconista da Video Magia, Kauê Magrin. No local, a alternativa foi reduzir o preço das locações pela metade. “Temos que buscar saídas”.

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