Como acontece com boa parte dos colecionadores de orquídeas, o desejo de cultivar as belas flores surgiu de repente na vida do industrial José Roberto Marques, 47. Ao passar por uma floricultura na volta de uma viagem a Araxá (MG), ele simplesmente ficou fascinado pelas flores, comprou três vasos e iniciou um hobby que durou 18 anos e atingiu mais de mil exemplares.
A falta de tempo interrompeu a atividade, mas as fotos, prêmios, troféus, livros e a lembrança das orquídeas ajudam a reviver a época de coleção, em especial, do exemplar que escolheu para homenagear sua mulher. O orquidófilo costumava aproveitar os fins de semana e feriados para explorar fazendas, morros e serras da região em busca das flores. Numa dessas andanças, no ano de 1990, encontrou uma Cattleya walkeriana magenta e a chamou de Márcia. “Entre os colecionadores é muito comum colocar nomes de pessoas, lugares ou acontecimentos marcantes nas orquídeas. Nessa planta, pela beleza, raridade e qualidade superior, resolvi chamá-la de Márcia”. Os nomes não são considerados botanicamente, nem recebem registro oficial, mas passam a circular entre os colecionadores. “A Márcia sempre foi destaque nas exposições e ficava entre as mais cotadas”. A orquídea foi vendida com o restante da coleção a um cultivador de Jundiaí (SP). “Infelizmente, tive de vender as flores porque não tinha mais tempo para cuidar delas e poderia perdê-las por isso. Mas tenho saudade da época de colecionador e quero voltar ao hobby depois que me aposentar”, disse.
ROTINA INTENSA
O industrial foi um colecionador ativo e é um dos fundadores da Associação Francana de Orquidófilos, que nasceu em 1983. Em nome das flores, percorreu cidades de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Ele se lembra bem das viagens feitas na companhia da mulher, muitas vezes de madrugada, para as “orquídeas não sofrerem com o calor”. “Já viajamos com o carro lotado de flores no banco traseiro e no porta-malas. Chegamos a passar por 30 exposições num único ano”. Por enquanto, José Roberto planeja a retomada da coleção e aproveita as Exposições de Orquídeas em Franca para rever espécies que cultivou e conhecer outras raridades da espécie.
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