Padre José Geraldo Segantin
O 3º Domingo da Quaresma é chamado “domingo da alegria”.
De que modo a liturgia nos ajudará a experimentar a alegria? Foi escolhido o caminho exato que coloca diante de nós o motivo da nossa alegria: Deus nos ama!
O amor de Deus é a alma de toda a Bíblia. O amor de Deus é uma realidade única, indivisível, como o é o próprio Deus.
Ele, rico de misericórdia, amou-nos com um grande amor, por isso, de mortos que estávamos, fez-nos reviver em Cristo.
Na Sagrada Escritura existem diversas passagens que relatam Deus cobrando, castigando o seu povo infiel. Como entender o amor de Deus? Os relatos apresentados como “castigo” de Deus expressam aquilo que aconteceu àqueles que enveredam pelo caminho do pecado: provocam a ruína de si mesmos e dos outros.
Deus não castiga o homem por causa dos pecados que cometeu: seus próprios pecados o castigam.
A história de amor entre Deus e o homem nunca termina com uma condenação.
Não há masmorra ou situação tão tenebrosa fora do alcance da bondade de Deus. Não há correntes tão resistentes que possam impedir a força do seu amor onipotente.
Apesar das constantes provas que possuímos da misericórdia divina, nem sempre conseguimos sair de algumas situações desesperadoras. Deus, porém, intervém para libertar-nos: ressuscita-nos com Cristo para uma vida nova.
Essa salvação não é concedida a nós por causa dos nossos méritos; trata-se de um dom completamente gratuito do Pai.
As boas obras que praticamos são uma resposta necessária ao amor de Deus; são elas os sinais que revelam que a graça de Deus conseguiu penetrar e produzir frutos no nosso coração.
A idéia que fazemos do juízo de Deus é: no fim do mundo, ele reunirá todos diante do seu tribunal, pedirá aos seus anjos para trazerem os livros da “contabilidade” e pesará até os mínimos detalhes tudo o que o homem houver feito. Por fim, pronunciará a sentença, da qual ninguém poderá apelar.
Tal idéia não é a melhor por não ser correta.
O juízo de Deus já está acontecendo, no “agora” da nossa história.
Em cada dia da nossa vida nos encontramos diante da proposta feita do alto da cruz por Jesus. Trata-se da proposta de dar a própria vida por amor. Salva-se aquele que tem a coragem de doar a própria vida como Jesus fez. Quem só pensa em si mesmo, nos próprios prazeres, destrói a própria vida.
Diante do exemplo de Cristo é preciso definir-se por um “sim” ou por um “não”.
A cada momento da nossa vida somos salvos por nossa adesão à cruz de Cristo ou dele nos afastamos recusando a proposta da cruz.
No fim de tudo haverá um julgamento de tudo e de todos. A cada dia, daqui da terra, enviamos para o céu respostas que formulam lentamente a sentença que Deus nos entregará.
O amor de Deus é tão grande que chega ao ponto de dar o seu próprio Filho e nossa responsabilidade está em fazer uma escolha diante dessa proposta de amor.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.
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