Crianças à mercê da criminalidade


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Crianças se divertem em rua do Jardim Aeroporto, ontem, no momento em que a reportagem do Comércio tentava apurar a situação observada por entidades: preocupação
Crianças se divertem em rua do Jardim Aeroporto, ontem, no momento em que a reportagem do Comércio tentava apurar a situação observada por entidades: preocupação
Alessandro Macedo da Redação Quatorze, oito, doze e dois anos. Essas são as idades de RCS, FFO, VSS e EGR. Pela manhã, duas dessas crianças estudam na Escola Estadual “Sérgio Leça”. A de oito anos estuda na EMEI “Mário Faleiros”. Todas moram no Jardim Aeroporto II. Elas fazem parte de um triste levantamento realizado em conjunto entre a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social (Sedhas) e a Igreja Católica de Franca: estão entre 800 crianças do Complexo Aeroporto - Aeroportos I, II, III e IV; Santa Bárbara e adjacências -, que se encontram em situação de risco social. Em bairros populosos, carentes e com altos índices de criminalidade, enquanto seus pais trabalham, elas ficam pelas ruas, à mercê da influência de traficantes, criminosos e usuários de drogas. Ontem, a cem metros de onde a reportagem conversava com os menores, uma garota de aproximadamente 14 anos, com três adultos, aspirava um pano, provavelmente embebido em solventes, os populares “ativadores”. Pouco tempo depois, os quatro fumavam um cachimbo de crack. Eram 14h40, o sol era forte na Avenida César Martins Pirajá, Aeroporto III. Quando o carro do Comércio da Franca se aproximou, todos se dispersaram. Situações degradantes como esta tornam perigoso o convívio direto das crianças que crescem naqueles bairros. Andando pelas ruas do bairro não é difícil encontrar os personagens das estatísticas dos órgãos públicos e entidades religiosas e assistenciais. O que se vê são crianças sentadas à beira do asfalto, nas sarjetas. Umas brincam, outras contemplam o nada, imóveis. Alvos fáceis da criminalidade. A Pastoral do Menor de Franca atende 100 crianças, mas a conta não se ajusta. A demanda reprimida ainda é de 700 menores que, ou não recebem apoio nenhum ou têm assistências esporádicas de entidades filantrópicas e ONGs (Organizações Não Governamentais). realidade Para a dona de casa Leda Carmen de Oliveira Borges, moradora do Aeroporto IV, faltam para os bairros saúde, educação, lazer e limpeza. A sabedoria popular de dona Leda diz que “trabalho também é ensinamento moral”, até para criança. “Eu tô aqui e não tô morta”, diz a ribeirão-pretana que afirma ter começado a trabalhar aos 11 anos e que isso a ensinou a ser correta. “O outro presidente (Fernando Henrique) acabou com o País.Como é que pode proibir criança com 14, 15 anos de trabalhar. E eles vão para onde? Aqui no bairro não tem qualquer coisa para se fazer”, disse. No próximo dia 30 de março, um encontro entre a Secretaria de Ação Social de entidades, pastorais, ONGs e famílias do complexo Aeroporto discutem soluções para o caso (veja texto ao lado).

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