Falta de renda faz sem-terra procurar trabalho


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Os sem-terra Oséias Silva, 18, e Aldani Ribeiro, 22, da Fazenda Boa Sorte, descarregam madeira de caminhão: produção de carvão vegetal é opção de renda
Os sem-terra Oséias Silva, 18, e Aldani Ribeiro, 22, da Fazenda Boa Sorte, descarregam madeira de caminhão: produção de carvão vegetal é opção de renda
Paulo Godoy da Redação Trabalhadores rurais assentados na Fazenda Boa Sorte, em Restinga, estão deixando seus lotes para trabalhar em empresas em Franca, sendo contratados por intermediários para atuar na conservação de trechos rodoviários da região, vendendo leite ou produzindo carvão vegetal com o resto da madeira que retiram de seus lotes. A falta de incentivos e a demora na liberação de recursos pelos governos estadual e federal, que permitiriam desenvolver a agricultura no local, atingem a maior parte das 159 famílias cadastradas e assentadas. Antiga área de florestamento da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, a Boa Sorte é, atualmente, inviável para a agricultura em 60% de seus 2.900 hectares. Enormes tocos de eucalipto deixados no solo após a retirada das árvores, a partir de 2000, em leilão autorizado pelo Itesp (Fundação Instituto de Terra do Estado de São Paulo), tornam praticamente impossível o plantio e o deslocamento de máquinas e tratores. Com isso, os trabalhadores estão procurando outras fontes de renda, alternativas à lavoura. Para muitos, a saída é investir em gado de leite, cuja produção encontra comprador certo, a R$ 0,19 o litro. Roberto Miranda Pereira, assentado há menos de dois anos, ainda espera os cerca de R$ 12 mil que lhe permitiriam investir em seu lote. Os recursos viriam do Pronaf, o programa do Governo Federal para desenvolver a agricultura familiar. Por enquanto, o sustento da mulher e quatro filhos vem das seis vacas que mantêm em sua área. Outros trabalhadores, como João Ribeiro, 50, transformam o resto da madeira que o leilão do Itesp rejeitou em carvão vegetal. Cada tonelada do produto rende perto de R$ 300, dinheiro investido na compra e plantio de dois mil pés de café. Seu lote, disse Ribeiro, é um dos poucos livres dos tocos, que só podem ser arrancados com tratores. A falta de trabalho e as condições desfavoráveis do assentamento da Fazenda Boa Sorte também estariam por trás da contratação de trabalhadores rurais por uma empresa terceirizada pela Autovias, concessionária que administra a Rodovia Cândido Portinari. O trabalho teria começado em outubro do ano passado. Pelo menos três assentados ouvidos pela reportagem estariam sendo levados para trabalhar na manutenção de canteiros e acostamentos da via. Pela tarefa, receberiam o equivalente a R$ 300 por mês. Agora, acusam a empresa de não ter pago nada pelo serviço.

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