Todos os anos a história se repete: nove meses depois do Carnaval e da Festa do Leite, o número de nascimentos de bebês aumenta em cerca de 35% em Batatais. Os casais, em sua maioria adolescentes, parecem não dar a devida importância ao uso de preservativos. A realidade é mostrada pelos números. Ao todo, nasceram 645 crianças em Batatais no ano passado. A média de 49,5 recém-nascidos por mês na cidade sobe para 66,3 nos meses de março e abril, cerca de nove meses após a Festa do Leite, e novembro, resultado do carnaval. Para se ter uma idéia da realidade, em julho do ano passado, por exemplo, foram registrados 40 nascimentos, contra 70 em abril.
A causa? Muitas vezes as festas são regadas a bebidas alcoólicas. Isso aumenta o risco da prática do sexo desprotegido, levando à disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez indesejada. “A gravidez indesejada nesses períodos, normalmente está relacionada ao consumo excessivo de álcool”, a afirmação é da secretária de Saúde de Batatais, Luciana Nazar Maluf.
Diante dos números, Luciana afirmou que a Secretaria de Saúde pode implantar uma ação inédita neste ano durante a Festa do Leite, que acontece no próximo mês de julho. “Geralmente, a distribuição de camisinhas não é feita durante a Festa do Leite, mas este ano estamos pensando em fazer este trabalho”.
Porém, há uma barreira financeira que pode inviabilizar o projeto. “Houve uma diminuição drástica no número de preservativos que o Ministério da Saúde manda para os municípios, por isso o próprio município está arcando com a compra para que não faltem”. Luciana explica que o “fenômeno” é comum e que neste mês os números ainda não foram fechados, mas a previsão é que o feito se repita. “O Carnaval resulta em aumento de nascimentos na maioria das cidades do Brasil, mas a Festa do Leite é um evento nosso e a conseqüência também”, disse.
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