SOBRE FRANCA


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Franca, em que se tornou essa cidade? Em 1985 eu tinha 5 anos, mas já possuía noção de como era ótimo morar aqui. Eu vi a felicidade de meus pais quando viemos de São Paulo para cá. Era uma cidade em que podíamos andar à noite e apenas fechar os portões, sem precisar trancá-los. Era uma cidade onde conhecíamos os vizinhos e eles eram nossos amigos. Fui crescendo e me sentia muito bem; era fácil de ir a qualquer lugar de bicicleta e podia deixá-la diante de uma lanchonete para tomar uma coca-cola sem me preocupar. Nunca vi, em Franca, pedintes em semáforos ou em portas de restaurantes e bancos. Mas o tempo passou e a cidade cresceu. Moramos ao lado de traficantes que falam tranqüilamente quem eles matam, como matam e assim por diante. Hoje não podemos sair de carro e estacioná-lo na rua, pois podemos voltar e vermos a vaga vazia ou o vidro quebrado e o som levado. Há bairros muito ricos e bairros muito pobres, a desigualdade social, a quantidade de filhos de jovens mães solteiras desprovidas de estrutura para criá-los de forma digna, tornam essa cidade ruim de se viver. Hoje, para construir uma casa é preciso ter cerca elétrica, câmera de vigilância e cães de raças agressivas. Viajar e deixar a casa sozinha? Nem pensar, pois o que compramos com muito esforço e longas prestações some sem percebermos. Vemos que o fruto de nossos impostos não mantém a Polícia adequadamente. E nos jornais vemos pessoas que moram em São Paulo e nunca foram assaltadas serem molestadas por bandidos quando aqui aportam para trabalhar. E agora? A gente hospitaleira dessa terra já não é mais a mesma. Hoje tenho 25 anos e sinto vergonha da minha cidade, outrora esperança de dias tranqüilos, pois ela se tornou perigosa, tal como metrópoles que vemos em noticiários na TV. Fábio Fabinho

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