O pastor CL, 53, procurou a Delegacia de Defesa da Mulher ontem à tarde para pedir encaminhamento médico. Ele é acusado de ter molestado uma criança de 10 anos, freqüentadora da igreja “Seguidores de Jesus Cristo”, onde ele trabalhava. O crime foi denunciado à polícia no último domingo e CL assumiu ter acariciado os seios e esfregado suas pernas nas da criança enquanto a carregava no cano de um bicicleta, da igreja, no Jardim Cambuí, até o Jardim Luiza, casa da suposta vítima.
Durante o depoimento, ele mencionou acreditar que sofre de algum distúrbio e reconheceu que precisava de tratamento médico. Em entrevista ao Comércio, anteontem, o pastor confessou que sente atração por crianças há cerca de oito anos. Para o psicólogo Arnaldo Nicolela, que atua na área há 23 anos, as características apontadas pelo pastor apresentam um quadro de pedofilia.
Apesar do problema, ele ainda não havia procurado tratamento e no ano passado disse ter molestado outras duas meninas, uma delas colega de uma das suas filhas. Ele é casado há 16 anos, tem duas filhas, de 7 e 14 anos, e um menino, de 11 anos. CL afirmou nunca ter sentido atração sexual por seus filhos. Após a denúncia, pediu afastamento do cargo.
A aparição do suspeito na delegacia surpreendeu a delegada-adjunta, Fabiana de Paula, e a psicóloga Fabiana Zagolim. As duas conversaram com ele e entraram em contato com um psiquiatra da rede pública de saúde para tentar um encaminhamento de avaliação. “Ficou acertado de ele voltar aqui amanhã (hoje) para darmos a resposta. O psiquiatra também entrará em contato conosco para confirmar se poderá fazer a avaliação”, disse a psicóloga. O trabalho desenvolvido por Zagolim é específico para as vítimas e não há tratamento de acusados. A menina de 10 anos ainda não procurou a delegacia. (RC)
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