Os 27 radares de trânsito que medem o excesso de velocidade e avanço do sinal vermelho na cidade ainda não têm data para voltar a operar. O desligamento dos aparelhos foi feito há mais de 530 dias. Ainda em outubro de 2004, sem receber pelos serviços prestados à Prefeitura de Franca, a empresa Fotosensores desligou 17 radares fixos e lombadas eletrônicas. A outra prestadora, Brascontrol, continuou com dez aparelhos em funcionamento nos semáforos por mais alguns meses, mas com a dívida do município, também desativou os equipamentos no primeiro semestre de 2005. O município deve R$ 1,5 milhão às duas contratadas.
A Fotosensores chegou a ser contatada pela administração tucana, mas há meses as negociações foram abandonadas. “O clima de retomar os serviços mudou e estamos numa passividade total. As condições propostas pela prefeitura são inviáveis”, disse Eduardo Ramalho, diretor da Fotosensores. A empresa aguardará nova proposta da administração por mais um tempo. Caso não haja avanços, a dívida poderá ser cobrada judicialmente. Os radares já foram retirados.
Com a Brascontrol, as conversas sobre os aluguéis dos aparelhos também estão congeladas desde o segundo semestre do ano passado. Os aparelhos continuam instalados nos sinaleiros, mas sem operar. A empresa também esperará manifestação do município. “A bola está com a prefeitura e são eles que têm de dar o chute”, disse o gerente comercial Romeu Bossi.
As prestadoras do serviço de fiscalização do trânsito dependem do município e, ao que tudo indica, o assunto ainda deve continuar enrolado. O secretário de Governo, Odair Tristão, se limitou a dizer que o religamento dos radares está sendo analisado tecnicamente e que caberá ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB) dar a palavra final, o que não tem previsão para acontecer. “Os serviços da sinalização eletrônica pertenciam ao Dinfra e só agora estão sendo transferidos para a Secretaria de Governo. Após esse processo, vamos verificar todas as questões ligadas à fiscalização e sinalização do trânsito”.
IMPORTÂNCIA
As lombadas eletrônicas e “pardais”, encarregados de registrar imprudências de uma frota com mais de 120 mil veículos em Franca, são alvos de críticas e dos motoristas. Saber que continuarão desligados é motivo de comemoração para muitos. Mas vale lembrar que os radares são apontados como instrumentos importantes para mudança de comportamento dos condutores. Em junho de 2004, o então secretário de infra-estrutura, Marcelo Ferreira, apresentou números das infrações de trânsito para mostrar o “efeito-pardal” como meio educativo. Segundo ele, nos primeiros meses de funcionamento em trechos das avenidas Presidente Vargas e Orlando Dompieri, os aparelhos registraram mais de 500 multas por mês e, com o tempo, a quantidade despencou para 150.
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