O Dia Mundial da Água


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Sebastião Almeida No dia 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água. Durante toda a se-mana, o tema será amplamente debatido nas escolas, imprensa, instituições ligadas ao meio ambiente e por todos aqueles que se interessam pela questão da preservação dos recursos hídricos. Infelizmente não temos muitos motivos para comemorações. Aliás, o que temos de sobra são motivos para preocupações. A questão da água se torna cada vez mais séria, o recurso está cada vez mais escasso e a conscientização dos go-vernos e da própria sociedade civil está muito aquém da gravidade da situação em que se encontram as reservas de recursos hídricos, em todo o planeta. Muita coisa aconteceu desde o Dia Mundial da Água no ano passado. Em 2005, o Brasil e o mundo assistiram cenas até então impensáveis: a Amazônia enfrentando uma grave seca, que praticamente secou rios importantes, como o Negro e o Solimões, reciclagem de água na Europa e até assassinatos motivados pela falta de água. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que mais de 1 bi-lhão de pessoas em todo o pla-neta não têm acesso adequado à água potável. Mas o Brasil possui água de sobra, dirão aqueles que não se preocupam com o assunto e simplesmente empurram o problema para frente. De fato, o Brasil possui grandes reservas de água doce. Mas ela é muito mal distribuída, sendo que a maioria se concentra na região da Amazônia. O Estado de São Paulo, que abriga 22% da popu-lação brasileira, possui apenas 1,65% da água doce existente no País. E ninguém sabe direito até onde os reservatórios, rios e córregos que abastecem as cidades agüentarão diante do desperdício e falta de uma política racional de utilização dos recursos hídricos. Ah, mas nós temos também o Aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Sim, mas a exploração do Aqüífero, o mais importante “tanque de reserva” de água para o abastecimento da população nas próximas décadas, está sendo explorado sem nenhum tipo de planejamento a longo prazo. Pior: há suspeita de que o lençol subterrâneo já pode estar sofrendo os efeitos da poluição e uso desenfreado de agrotóxicos nas grandes plantações. Por isso, não tem jeito. Há três soluções para o problema da água: conscientização, conscientização ou conscientização. Da dona de casa que limpa sua calçada com a mangueira de água ao governo que investe pouco em saneamento básico, todos devem parar e pensar o que estão fazendo, não para as futuras gerações, mas para nós mesmos. Para aqueles que ainda pensam que esse é um problema do futuro, é bom avisar que a natureza já está mandando sua fatura por conta de tanto descaso. Se a água for bem utilizada, ela não vai acabar. Mas isso depende de cada um de nós. Depende daqueles que devem substituir a mangueira pela vassoura, daqueles que vão deixar de jogar lixo nos rios e córregos, dos fazendeiros que vão controlar o uso de agrotóxicos em suas lavouras e dos administradores públicos que vão batalhar para expandir ao máximo a instalação de redes de saneamento básico. Só assim é que não vai faltar água. Caso contrário, não é o futuro que será sombrio. É o presente mesmo. O pouco que resta dos recursos hídricos disponíveis estará definitivamente comprometido. Por isso, o Dia Mundial da Água de 2006 deve ser dedicado à conscientização. E essa cons-cientização deve começar em casa e na escola. Ninguém precisa sair por aí em passeatas ou grandes ações. Basta fechar a torneira da sua casa para combater o desperdício, substituir equipamentos velhos, como vasos sanitários, por mais mo-dernos e que consomem menos água e aposentar a mangueira quando for limpar a calçada. Não custa nada e significa economia para o bolso e para a natureza. Converse com sua família e seus amigos sobre a importância do uso racional e como isso pode ser feito, dentro de casa, no seu prédio ou na sua comunidade. Se isso for feito aos poucos, com cada um fazendo a sua parte, o que já é muito, em algum tempo teremos só motivos para comemorações no Dia Mundial da Água. Um brinde a esse precioso líquido. SEBASTIÃO ALMEIDA é de-putado estadual pelo PT, presidente da comissão de meio ambiente da Assembléia Legislativa e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br.

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