O sofrimento vivido pela aposentada Hilda Costa de Oliveira, 68, também esteve retratado nas páginas do Comércio da Franca e nos microfones da rádio Difusora na semana passada. A casa em que morava no Jardim Aeroporto III foi apedrejada e, com medo de a violência se repetir, ela decidiu vender o imóvel. Mas com os R$ 13 mil que recebeu, só conseguiu comprar um terreno, sem construção, no Recanto Elimar. O improviso foi a única solução para ter onde dormir. Desde o dia 11 de março, o “quarto” de Hilda é o interior de uma Kombi.
Como a família do pedreiro Sérgio Barbosa, a aposentada pede cimento e tijolos para poder erguer cômodos para viver com o filho de 40 anos, que está desempregado. “Está muito difícil dormir dentro da perua. Fico com os pés inchados por causa do aperto”.
Para acomodar mesas, cadeiras, armários, panelas e fogão, junto com pedaços de madeira e ferro abandonados e algumas galinhas, ela armou uma barraca. Os objetos e animais ficam sob uma lona azul amarrada em troncos de árvores.
O pior. As condições financeiras não a impedem apenas de construir um imóvel onde viver e acomodar seus pertences, mas também de comprar alimentos para as refeições. Durante sete dias, Hilda se alimentou apenas com arroz. O cardápio mudou um pouco graças à cesta básica que ganhou depois da publicação da sua história no jornal. “O problema é que não tenho dinheiro para comprar gás”. Ela vive com apenas R$ 300 e boa parte do dinheiro é gasto com remédios. Por causa dos problemas de saúde, Hilda tem tremores descontrolados e desmaios freqüentes. “Quero ter um cantinho para viver melhor”, resume seu sonho.
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