<p>Patrícia Paim<br />da Redação<br />O secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Antônio Duarte Nogueira Júnior, esteve em Pedregulho na sexta-feira, 17, para cumprir os últimos compromissos antes de deixar a pasta no dia 31 de março para se dedicar à campanha a deputado federal. Entregou uma máquina de plantio para a Associação dos Pequenos Produtores e também inaugurou a recuperação da estrada Bom Retiro, que beneficia 12 agricultores que utilizam a estrada para ter acesso à Rodovia Cândido Portinari e também para escoar os produtos agrícolas. A obra teve um custo de R$ 102 mil. Além da obra, trouxe um alento a muitos dos que o ouviram. Garantiu, com a segurança que seu cargo permite, que o preço do álcool combustível vai cair. “Não há dúvida”, disse. Durante a visita à região, o secretário aproveitou para fazer um pouco de política. Natural de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira foi deputado estadual por três pleitos e agora espera chegar a Brasília. Ele garante que não trocará de partido, continuando no PSDB. Quanto ao novo secretário da Agricultura, afirma que alguns nomes já são estudados, mas a escolha caberá ao vice-governador, que assumirá o governo em abril, Cláudio Lembo. Por conta disso, não adiantou nenhum nome. Comércio da Franca - Com o início da safra da cana-de-açúcar, o senhor acredita em queda de preço do álcool nos próximos meses?<br />Duarte Nogueira - O preço vai cair, até por uma questão de oferta do produto. É natural. Todos os anos acontece sempre a mesma coisa. Não se criam instrumentos para estocar álcool para passar os meses de dezembro a abril, período em que não se tem produção. A nossa estimativa é de colher, na safra deste ano, por volta de 250 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em todo o Estado de São Paulo, representando um crescimento de 6,6% em relação à safra passada. A área plantada de cana deve estar hoje na ordem de 3,7 mil hectares. Além disso, até 2010, vamos ter no Estado de São Paulo, 60 novas usinas entrando em funcionamento para fazer frente à demanda da necessidade do consumo interno e também da exportação. A tendência é que o preço continue caindo. </p>
<p><strong><em>Comércio - A região de Franca antigamente era conhecida por grande propriedades cafeeiras, mas com o passar dos anos, a cana-de-açúcar vem avançando cada vez mais. O senhor vê isso com bons olhos?</em><br />Duarte Nogueira</strong> - Temos na região de Franca uma produção de café considerada uma das melhores do mundo. Isso tem contribuído muito para a qualidade do café no Estado de São Paulo e também para melhoria da renda dos cafeicultores. Mas não podemos deixar de citar outras culturas como o milho, soja e bacia leiteira, contribuindo para um pecuária bem diversificada. O crescimento da cana-de-açúcar já era esperado em razão da oferta do preço. O que precisamos fazer agora é concentrar ferramentas da Secretaria da Agricultura, desenvolvendo projetos com o intuito de apoiar o médio e pequeno produtor para que ele não venha a ser atropelado por uma eventual expansão da cana. A nossa intenção é conseguir manter essa diversidade de produção.</p>
<p><strong> <em>Comércio - Deixando a agricultura de lado, vamos falar um pouco sobre política. O senhor deixa a Secretaria da Agricultura no fim de março. Quais são seus planos imediatos?</em><br />Duarte Nogueira</strong> - Na última quinta-feira, 16, me reuni com o vice-governador e futuro governador, Cláudio Lembo, para tratar da minha saída da secretaria em função da exigência da lei eleitoral. Assim como o governador Geraldo Alckmin, vou deixar a pasta no dia 31 de março. Ele para ser candidato à Presidência da República e eu para assumir o meu cargo de deputado estadual na Assembléia Legislativa e para me dedicar à campanha de deputado federal. </p>
<p><strong><em>Comércio - O senhor vai mudar de partido?</em><br />Duarte Nogueira</strong> - De forma alguma. Continuo no PSDB. Comércio - Com sua volta à Assembléia Legislativa, o deputado Roberto Engler terá que sair, já que ele ocupou sua cadeira quando o senhor assumiu a Secretaria?<br />Duarte Nogueira - Não, ele fica. O deputado Roberto Engler e um outro deputado que também era suplente se efetivaram depois que dois deputados se elegeram prefeitos de Tatuí e Jundiaí, respectivamente, o Luís Gonzaga e Ary Fossen. Eles optaram por assumir as prefeituras e as cadeiras ficaram vagas. E hoje o meu suplente é o deputado Milton Flávio.</p>
<p><br /><strong><em>Comércio - O senhor vetou algum candidato da região ao cargo de deputado federal, já que o senhor é candidato pelo PSDB?</em><br />Duarte Nogueira</strong> - Não. Pelo contrário. Tenho procurado estimular a todos os candidatos do PSDB que postulam a legenda. Da minha parte é garantido qualquer iniciativa neste sentido. E aqui, na região, temos os coordenadores e as pessoas que falam em nome do partido. Se tiver alguém do PSDB com boas perspectivas é só nos procurar que vamos trabalhar para ajudar. </p>
<p><strong><em>Comércio - Como o senhor avaliou a escolha do candidato do PSDB à Presidência da República? Na sua opinião demorou para que se definisse pelo nome de Geraldo Alckmin?</em> <br />Duarte Nogueira</strong> - Não. O PSDB não demorou para escolher o candidato. Na verdade, nenhum outro partido escolheu o seu candidato. O único partido que tem candidato é o PT, que tem o presidente Lula, e que certamente é candidato à reeleição. Outros partidos estão por definir. O PSDB, tendo duas grandes lideranças, até então, sendo cogitadas como futuros candidatos, no caso o atual prefeito, José Serra, e o governador Geraldo Alckmin, entendeu por uma decisão harmônica, que o governador seria o melhor nome. O Geraldo Alckmin é um excelente candidato e vamos trabalhar para ganhar a eleição. </p>
<p><strong><em>Comércio - De acordo com pesquisas, o PSDB perderia a eleição para o PT já no primeiro turno. Como o senhor avalia isso?</em><br />Duarte Nogueira</strong> - Em 1994, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, no mês de maio, tinha 44% das intenções de voto e o PSDB estava entrando com o ex-ministro Fernando Henrique Cardoso. Terminou a eleição de 94, o Fernando Henrique ganhou no primeiro turno. Em julho de 2004, na campanha para governador, na primeira semana depois do registro das candidaturas, o Paulo Maluf tinha uma intensidade de intenção de votos, que todos os outros candidatos somados não chegavam nele. A previsão era de que ele ganharia no primeiro turno. Nem para o segundo turno ele foi. Então, pesquisa na verdade, é uma fotografia de um momento busca refletir algo que ainda está muito longe. Não é uma corrida de cem metros rasos, é uma espécie de maratona. O Alckmin é conhecido no Estado de São Paulo, mas ele ainda vai se tornar conhecido no resto do País. Não só pela sua capacidade de trabalho e de se projetar, mas pelo resultado da sua obra em São Paulo. Ele é um homem sensato, equilibrado e ao mesmo tempo firme. Fez um governo, mesmo assumindo a responsabilidade de suceder o Mário Covas, com uma capacidade de criatividade e de aprimorar ainda maior. Manteve os pilares de equilíbrio fiscal, de controle de desperdício reduzindo carga tributária. Tratou todos os prefeitos do Estado com muito respeito, o que demonstrou a ele uma atitude de alguém que coloca o interesse público acima de qualquer coisa. É esse perfil do político moderno que a sociedade brasileira espera. Eu acredito que é esse perfil que vai motivar e resgatar a esperança do brasileiro depois de tanta decepção com esse governo que está aí hoje.</p>
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