Márcia Anawate Kuri, 46, é professora de música na prefeitura desde 1994, quando passou a coordenar o coral infantil, juvenil e adulto da Secretaria de Educação. Uma das idealizadoras do projeto e diretora e professora da Emim desde a sua fundação, Márcia se sente realizada com o crescimento da escola nesses dez anos. Na opinião dela, a formação em alguma modalidade artística, em especial a música, é fundamental para o ser humano desenvolver suas habilidades. Na entrevista a seguir, Márcia fala de seus projetos para a Emim nos próximos anos. Leia os principais trechos.
Comércio da Franca - Como surgiu a idéia de criar uma escola municipal de música em Franca?
Márcia Anawate Kuri - Até 1996, todos os conservatórios e escolas de música da cidade eram particulares. Não tínhamos nada, por parte do poder público, desse tipo. Muitas pessoas de baixa renda tinham vontade de aprender música, mas não possuíam condições financeiras. Em 1994, havíamos formado o coral infantil, do qual fui coordenadora. Dois anos depois entramos com a proposta de criar uma escola. A prefeitura considerou o projeto financeiramente viável e, assim, começamos.
Comércio - Como o próprio nome diz, a escola é voltada para a iniciação musical. Em três anos e meio de curso, qual a metodologia de ensino empregada?
Márcia - Dividimos nossa metodologia em três fases. A primeira delas é a musicalização, que tem por objetivo estimular o aluno a distinguir ritmos e sons e a manter a concentração no canto. Na segunda, direcionamos o aprendizado à leitura musical - pautas e notas musicais, por exemplo. Já na última, trabalhamos a prática em grupo, com instrumentos.
Comércio - Na sua opinião, qual a importância da educação musical na formação do jovem?
Márcia - Eu entendo que a música seja uma linguagem de aproximação entre as pessoas. Ela ajuda a trazer para o cotidiano do adolescente a socialização e a transposição de barreiras, além de desenvolver a criatividade e de fazer surgir talentos. Outro ponto que considero fundamental, talvez o mais importante, é o desenvolvimento pessoal. A pessoa passa a refletir e a sentir melhor, através do canto ou de um instrumento, o mundo em que vive.
Comércio - A escola chega aos dez anos consolidada. Mesmo assim, o que, na sua opinião, ainda falta para melhorar o ensino e quais são os projetos futuros?
Márcia - Olha, acredito que o que faltou nesses dez anos foi a formação de um corpo estável. O que eu quero dizer? Formamos os alunos, mas ainda não criamos um meio de continuar com eles na escola, ou seja, um núcleo de percussão, flauta, coral, por exemplo. A educação musical é essencial, mas a grande escola, que é a orquestra, uma banda, nós ainda não temos. Então, nosso principal desafio para os próximos anos é a consolidação de um grupo instrumental e que dê chance de os nossos alunos continuarem na escola.
Comércio - Dentro dessa proposta de inovar no aprendizado, a Emim chega a realizar atividades extracurriculares ao longo do ano?
Márcia - Ah, sim. Ao longo do ano, promovemos oficinas, palestras e workshops com profissionais vindos da capital. Trabalhamos nesse sentido, quando, normalmente, surge um novo estilo musical, concepção e material. A idéia é sempre deixarmos nossos alunos atualizados.
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