Uma década de música


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NA EMIM - Crianças e jovens durante aula de música na Escola Municipal de Iniciação Musical ‘Roberto Ambrósio’
NA EMIM - Crianças e jovens durante aula de música na Escola Municipal de Iniciação Musical ‘Roberto Ambrósio’
Arnon Gomes da Redação Eram 9 horas de terça-feira. As crianças ainda estavam com sono. Mas bastou a professora botar a mão no teclado e pedir para todos cantarem “sol, la, ré, ré, do...” que a galera se agitou. Estava tocando Asa Branca, o famoso baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, canção predileta da turma. Logo, o grupo começou seu ensaio. Soavam acordes de violão, gemidos de flauta e batidas de xilofone. A moçada, cuja idade varia de 9 a 13 anos, não desafinou um instante. Manteve a cadência até o final da música. Detalhe: não faz um ano que o grupo começou a aprender música. Ensinar os primeiros passos desta arte é a proposta da Escola Municipal de Iniciação Musical Roberto Ambrósio “Topete”, que, hoje, chega aos seus 10 anos de história. O nome da instituição presta uma homenagem a Roberto Ambrósio (1934-1998), mais conhecido como Tropete. Conforme explica a diretora Márcia Kuri, Ambrósio foi instrutor de fanfarras e bandas marciais na cidade durante muito tempo. “Era uma pessoa que via a necessidade da escola para formar bons músicos, por isso demos esse nome”. Em uma década de ensino musical, a escola sempre se manteve no mesmo endereço. Fica na Rua Prudente de Moraes, na Cidade Nova. Nesse período, formou cerca de 450 jovens (milhares passaram pelas aulas, mas nem todos se formaram), a maioria deles de baixa renda, procuraram o estabelecimento para desenvolver algum talento. Como quem já passou por lá, os 300 alunos de hoje também vêem a música como uma atividade muito mais importante do que um simples hobby. Assim pensa o pequeno Otávio Rezende Damasceno, 9, que sonha em ser cantor. Na sua caminhada rumo à realização do sonho, vai bem na preparação. Há um ano na escola, já sabe tocar flauta. “No começo, não gostava muito desse instrumento, mas, agora, está fácil”, diz o menino. Sua música predileta é a mesma dos seus colegas: Asa Branca. IMPORTÂNCIA Professora da “Roberto Ambrósio” há nove anos, Janelice Veríssimo Bergamini de Oliveira, 37, destaca a importância da educação musical para a formação de crianças e adolescentes: “É um trabalho de percepção auditiva, que propicia ainda descobertas e o convívio em grupo para quem é jovem”. Não é à toa que, na placa de inauguração da escola, há a seguinte frase, de Santo Agostinho: “A música liberta o ser humano e une o solitário à comunidade”.

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