Paulo Godoy
da Redação
A troca de comando na Secretaria de Saúde de Franca, com a exoneração de Eduardo Sandoval e a nomeação de Alexandre Ferreira, é o primeiro passo de uma mudança que pode não dar em nada, a despeito da diferença de estilos de trabalho entre o que sai e o que entra. Eduardo Sandoval passou 15 meses como uma sombra na Secretaria de Saúde. Apesar das defesas públicas que o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) constantemente fazia de sua atuação, Sandoval não aparecia. Quando levado, anteontem, a citar uma ação de relevância do, agora, ex-secretário, o prefeito do PSDB destacou apenas que as unidades não recebem reclamações há mais de 40 dias. Alexandre Ferreira assume o cargo já tendo trabalho.
As mudanças pretendidas por ele começarão, conforme disse, amanhã. O plano é atacar justamente a insatisfação da população com os atendimentos prestados nas UBSs. “Espero que os funcionários se encaixem no modelo de administração que pretendo implementar”, disse ele. “Caso não se encaixem, que fiquem à vontade para sair”, disse.
Desde que assumiu, no início do ano passado, Sidnei Rocha vem “batendo e apanhando” em razão de problemas na área da saúde.
Antes da eleição, ele disse que a solução do sistema público municipal estava em um melhor gerenciamento e que sobrava dinheiro, criticando o Partido dos Trabalhadores, do ex-prefeito Gilmar Dominici, por ser incapaz de resolver o problema.
Assim que assumiu o cargo, levou e sustentou até esta semana Eduardo Sandoval como secretário. Por todo o período, Sandoval mais pareceu uma rainha da Inglaterra. Em suas últimas férias, em janeiro deste ano, se deu a maior crise no setor nestes últimos 15 meses. A Prefeitura iniciou uma batalha jurídica com prefeitos de 21 cidades da região - da qual, até agora, é vencedora. Para anunciar que Franca não mais atenderia pacientes da região, o prefeito escolheu para ter ao lado um dos diretores da secretaria, o médico Cláudio Ortiz, diretamente abaixo de Sandoval. Habitualmente tão delicado quanto um rinoceronte, Ortiz foi à DIR XIII avisar uma atõnita platéia formada por prefeitos e secretários de saúde regionais que o atendimento estava suspenso.
Quando retornou das férias, Sandoval teria demonstrado simpatia por manter o atual modelo de atendimento. Isso teria provocado a ira de Cláudio Ortiz. Os dois brigaram e se acusaram mutuamente. Sidnei Rocha minorou o conflito, dizendo que prefeito não tem que se intrometer em discussão de funcionários.
A crise entre comandante e comandado é antiga na Secretaria de Saúde. Entre Eduardo Sandoval e David Batista Neto, chefe de Serviços de Saúde, o clima era de, no mínimo, desconforto. Por diversas vezes, foi Neto a figura que intermediou conflitos nas unidades tanto entre pacientes quanto entre servidores.
Diplomaticamente, David Batista Neto disse certa vez que obedecia às ordens de Sandoval e não assinava qualquer documento sem sua aprovação.
Como o destino de alguns dos principais nomes do 2º escalão, a exemplo dos próprios Ortiz e Neto, é incerto, o secretário nomeado, Alexandre Ferreira, terá que lidar durante algum tempo com figuras pelas quais, segundo algumas fontes, não nutre grande simpatia.
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