A vinda de uma unidade de internação para Franca já vinha sendo proposta pelo Ministério Público desde 2000. Muitos dos adolescentes infratores que recebiam condenação para cumprir medidas socioeducativas eram enviados a São Paulo e Ribeirão Preto. De acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), esses jovens não podem ficar a mais do que cem quilômetros de sua cidade de origem. Sendo assim, o envio à capital contraria a lei. Mesmo o município vizinho também está no limite do previsto no Estatuto.
Diante da necessidade de atender às mães que ficam semanas sem ver os filhos e de uma legislação específica, o então prefeito Gilmar Dominici (PT) realizou três encontros com autoridades e sociedade. Uma das primeiras aconteceu dia 24 de setembro e objetivava explanar como funcionaria uma unidade na cidade. Desde então, o próprio Gilmar dizia que era preciso desmitificar o nome “Febem”, relacionado, pelo senso comum, a imagens de rebeliões como as ocorridas em São Paulo, principalmente no fim da década de 90.
A negociação entre a administração municipal do PT e o governo do Estado não foi adiante em 2004, ano de eleições. Sidnei Rocha assumiu e, parecendo seguir a sugestão de seu antecessor, trouxe a proposta do NAI. O nome serviu para identificar um tipo de atendimento que agilizaria a aplicação de uma medida de proteção após decisão judicial sobre um ato infracional ou a internação definitiva, trabalho prestado pelo CAA. Apesar de ser tratada como a mesma coisa, há diferenças consideráveis (veja quadro abaixo) entre o núcleo e o centro. Em entrevistas, o prefeito usou indistintamente - sabe-se lá se em razão de uma estratégia ou por puro desconhecimento -, os termos NAI e Febem aumentando ainda mais a confusão sobre qual unidade seria efetivamente trazida para o município.
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