O Ministério Público de Franca poderá abrir um processo por improbidade administrativa contra o presidente da Câmara, Marcelo Mambrini (PMN). Há 15 dias, o vereador utilizou o carro oficial do Legislativo para fins particulares, uma visita à mãe em Restinga.
Questionado sobre o deslocamento até a cidade vizinha, Mambrini disse que estava a serviço da Câmara quando recebeu uma ligação de sua mãe. Do Bairro da Estação, onde se encontrava, dirigiu-se para Restinga com o veículo oficial dos vereadores, um novíssimo Ford Focus.
Marcelo Mambrini disse não temer sanções de nenhuma espécie. “Continuarei usando o carro quantas vezes for preciso. Não estou fazendo nada errado e não vejo nada de errado nisso”.
O desprendimento e os fortes laços familiares de Marcelo Mambrini podem, no entanto, lhe trazer problemas. Ontem o promotor Paulo César Borges disse que irá abrir um procedimento para apurar a prática de improbidade administrativa do vereador. A improbidade é um dos itens constantes da lista de irregularidades que levam à cassação de mandato.
Para Borges, não interessa a distância do deslocamento nem o custo que isso significa, detalhes que Mambrini considera insignificantes. “O que está sendo questionado é o uso de um bem público para finalidades pessoais”, afirmou o representante do MP.
Os dois se encontram amanhã na promotoria. Borges nem sabia do uso indevido do veículo da Câmara. A reunião deveria servir para tratar da contratação irregular de duas pessoas em cargos de assessor parlamentar (com função definida por lei) para trabalhar como instrutor de informática e recepcionista, com salários de R$ 1.800. As contratações, segundo Mambrini, foram feitas em vista da necessidade de pessoal na Câmara e seriam “corrigidas” com o concurso que deverá ser realizado ainda neste semestre.
Vereadores consultados pelo jornal mostraram-se desconfortáveis com a lambança que Marcelo Mambrini está promovendo em sua gestão como presidente. “A falta de experiência, de traquejo, está nos incomodando porque somos cobrados na rua”, disse seu antecessor na presidência, Luiz Carlos Fernandes (PDT).
Para o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), está ocorrendo uma excessiva vigilância sobre o vereador. “Temos tantos problemas, tantos ladrões para prender, que isso (a viagem) não tem a menor importância. É insignificante”, disse o prefeito.
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