‘Os Mandamentos de Deus’


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Padre José Geraldo Segantin No 3º Domingo do Tempo Quaresmal, a liturgia da Igreja reserva-nos a reflexão sobre os mandamentos da Lei de Deus, ou Decálogo. O tema da lei de Deus é muito importante neste tempo de preparação para a Páscoa. Para os israelitas do tempo de Moisés, a fidelidade a um mandamento nunca se reduz à fria observância de uma norma, mas é sempre uma resposta pessoal ao Deus que se revela a ele. O Deus de Israel, o nosso Deus e Pai, não é um soberano que vive num palácio, distante de seus súditos, que estabelece suas leis e exige uma rigorosa observância e que ameaça com castigos. Ele é um pai que conhece seus filhos pelo nome, dialoga e indica o caminho do bem e da felicidade. Quando nos é imposto um determinado comportamento, quando nos é proibido fazer alguma coisa, sentimo-nos limitados na nossa liberdade. Temos a sensação de que alguém quer impedir-nos de realizar os nossos desejos e de sermos felizes. Os dez mandamentos não estão incluídos na categoria de leis opressivas do ser humano. Não foram decretados por um tirano, mas por um Deus “libertador”, que no Egito salvou o seu povo, porque não tolera situações de escravidão. Não se trata de leis severas, difíceis, às vezes até mesmo absurdas e incompreensíveis, impostas ao homem como prova da própria fidelidade. Elas nada limitam, mas indicam o caminho certo. Quando alguém segue o caminho proposto por Deus, não se torna escravo das próprias paixões e do próprio egoísmo, não consegue destruir a própria vida e a dos outros, mas se torna uma pessoa livre e feliz. Jesus vindo ao mundo reduziu os mandamentos a dois: “amar a Deus e amar o próximo”, mais adiante a um só: “ amar o irmão”. São Paulo, na carta aos Romanos, diz: “quem ama o irmão cumpriu toda a lei. Pois os preceitos: não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás e ainda outros mandamentos que existam se resumem nestas palavras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. É evidente que o mandamento do amor engloba todos os mandamentos. Nenhum dos dez mandamentos nos obriga a amar o inimigo, ou perdoar sem limites e sem condições. É a lei do amor que me obriga a sempre prestar atenção para descobrir em todos os instantes o que posso fazer para tornar meu irmão feliz. A pessoa que não ama o seu semelhante dá passos para a morte. Uma vida sem gestos de amor se torna fria, depressiva, angustiada. No mundo existem muitas pessoas poderosas sem entusiasmo para viver, passando a maior parte do tempo com o semblante amargo e desconfiado. No mesmo mundo, ao mesmo tempo, existem muitas pessoas sem poder algum, entretanto, poderosas através de uma riqueza que só os sábios possuem: elas sabem observar os detalhes do mundo e da vida com o olhar de quem é amado e sabe repartir amor. A convivência com o amor nos faz mais dóceis, passamos a compreender os limites dos outros, sabemos perdoar, sentimos falta dos outros e deixamos o orgulho de lado e nos tornamos construtores da Paz. Para mim, o ícone dos nossos tempos neste campo foi Madre Tereza de Calcutá. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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