Nelise Luques
da Redação
Um parque proibido. É assim o tão esperado Parque do Trabalhador. Além da demora na inauguração - a data foi adiada por três vezes e não há uma previsão de novo dia - a prefeitura criou um regulamento que restringe tanto o uso do parque que fica a pergunta: o espaço vai servir para quê? Quase tudo é proibido e a função da nova área, de servir como espaço de lazer, fica comprometida. Não se pode andar de bicicleta, passear com cachorro, levar lanches no recinto ou usar as quadras sem agendamento prévio e pagamento de taxa. A utilização do local se restringirá à caminhada e visitação à mata. A prefeitura diz que se trata de medida de segurança, mas não explica que riscos tão sérios andar de bicicleta no parque pode acarretar. Na verdade, o que parece ser a motivação real de criar regras tão rígidas é uma reprimenda antecipada ao usuário do parque. O secretário de Administração Jerônimo Pinto disse que o regulamento pode mudar futuramente, depende do “comportamento dos usuários”, tomando, ao que parece, o francano como mal-educado.
Portanto, a idéia de desfrutar dos dias ensolarados num longo passeio de bicicleta pelo Parque do Trabalhador Papa João Paulo II, no Parque dos Pinhais, cai por terra e fica a impressão de ser um parque para enfeite. O funcionamento proposto pelo município foge da função de um parque. Até mesmo os dicionários definem o espaço como “uma área de uso público, geralmente com árvores e lagos, dentro ou nas imediações de uma cidade, mantida para recreação e ornamentação”. O francano terá que se contentar, pelo menos a princípio, com uma utilização restrita do tão esperado Parque do Trabalhador.
Jerônimo Pinto reforça que as normas até poderão sofrer alterações, mas isso dependerá, de fato, do comportamento dos usuários. “Num primeiro momento, as restrições foram colocadas por cautela, por medida de segurança e para sentirmos como será o comportamento dos usuários. O regulamento não é permanente”.
Também não serão permitidos o consumo de bebidas alcoólicas, nem churrasco, tampouco colocar som alto, entrar na lagoa e estacionar veículos na área externa do parque. A entrada de crianças menores de 12 anos desacompanhadas de um responsável também será proibida.
POUCAS OPÇÕES
Depois de tanta espera e polêmica em torno da inauguração do parque (leia mais em texto nessa página), a verdade é que o francano continua sem boas opções de lazer desse tipo. Uma alternativa, anunciada pela ONG Franca Viva em novembro de 2004, seria o Parque Despertar. O projeto prevê a transformação do antigo aterro sanitário do Aeroporto I em área de lazer, mas a comunidade ainda terá que esperar muito tempo para vê-lo concretizado. A luta é para iniciar a construção ainda em 2006, mas a conclusão levará dez anos.
Uma outra opção ainda deixa a desejar. Antigo e sub-utilizado em razão da má-conservação dos prédios, carente de funcionários para manutenção e sem nenhum programa de atividade, o Parque “Fernando Costa” surge como uma das poucas alternativas para os momentos de passeio, atividades físicas e descontração. Seus usuários rotineiros ainda esbarram na limitação do horário.
Desde janeiro, o recinto, que ficava aberto ininterruptamente, passou a funcionar das 7 às 20 horas. O novo horário inviabilizou o uso daqueles que madrugavam para fazer caminhada. O sapateiro Luiz Fernando Malta, 39, gosta de passear com a filha Danyella, 2, é um dos que usam o espaço, mas com ressalvas. “Gosto do lugar, mas acho que poderia ser melhor aproveitado. É um espaço tão grande, mas não oferece nenhuma atividade. Em Franca, os pais não têm um bom lugar para levar as crianças para brincar e, pelo tamanho da cidade, isso é um absurdo”, disse.
A alternativa encontrada pela população é fazer de outros recintos, parques. O complexo Poliesportivo é escolha de muitas pessoas para as horas de lazer, passeios de bicicleta, alongamentos e caminhada. Não há estatísticas, mas a movimentação é sempre grande.
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