Mambrini admite usar carro oficial para viajar a Restinga


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Depois de contratar assessores parlamentares e ser questionado pelo Ministério Público, o presidente da Câmara de Franca, Marcelo Mambrini, se vê às voltas com nova situação embaraçosa
Depois de contratar assessores parlamentares e ser questionado pelo Ministério Público, o presidente da Câmara de Franca, Marcelo Mambrini, se vê às voltas com nova situação embaraçosa
Paulo Godoy da Redação O presidente da Câmara de Franca, Marcelo Mambrini (PMN), usou o veículo oficial do Legislativo em viagem particular para Restinga. Sem se preocupar com possíveis desdobramentos ou ações judiciais, o vereador disse que não vê motivos para se sentir culpado, que não fez nada errado e que voltará a usar o carro tantas vezes quantas forem preciso. Perto de duas semanas atrás, o vereador afirma estar a serviço do Legislativo no Bairro Estação. Teria, então, recebido a ligação de sua mãe, que mora em Restinga, e partido para a cidade vizinha no veículo oficial, um Ford Focus. Procurado ontem pela reportagem, Mambrini avaliou que não cometeu nenhuma irregularidade, chegando a citar que é proprietário de dois carros, sendo um deles, como afirmou, importado, além de uma motocicleta. Para ele, isso demonstra não necessitar tirar proveito do carro de outros. Para o vereador seria mais dispendioso levar o veículo da Câmara para sua casa, no Parque do Horto, e deixá-lo lá (o que já seria uma irregularidade, já que carros oficiais não podem ser guardados em garagens residenciais). “A distância entre a Estação e o bairro onde eu moro é maior que a existente entre Franca e Restinga”, disse Mambrini, no que se engana. Entre a saída de uma cidade e a entrada da outra, são 14 quilômetros, enquanto que não mais que 5 quilômetros separam os dois bairros citados pelo parlamentar. A distância, no caso, parece ser o menor dos problemas. O fato é que o vereador não observou o mais elementar dispositivo sobre a utilização de bens públicos, assegurando que, em situações futuras semelhantes, ele não pensará duas vezes em fazer o mesmo. Marcelo Mambrini, que completou três meses e meio como presidente da Câmara, disse que não está preocupado com os reflexos de sua atitude. “Não peguei o carro para cometer nenhuma atividade ilícita”, tornou a dizer. “Qual o filho que não atende o pedido da mãe imediatamente?”, perguntou, estabelecendo ligações entre as diversas vezes que teria empregado seus carros a serviço da Câmara, sem nunca, continuou, ter pedido qualquer ressarcimento. A atitude não é inédita. Em Ilhabela, litoral norte paulista, o presidente da Câmara, Luiz Lobo (PL), teve o mandato cassado pela Justiça no ano passado por ter viajado para Minas Gerais, levando uma parente para visitar a mãe. Perdeu o cargo, os direitos políticos por cinco anos e teve que devolver pouco mais de R$ 1 mil, quantia gasta para abastecer o veículo, com dinheiro público, durante a viagem. Resta saber se em Franca a decisão será a mesma. Essa não é a únida decisão de Mambrini que pode fazer com que o Ministério Público de Franca questione suas ações. Na próxima segunda-feira, o vereador terá de explicar ao promotor Paulo Borges em que circunstâncias contratou dois assessores parlamentares para a Câmara da cidade. Isso elevou para 16 o número de assessores da Casa, que possui 15 vereadores. Mambrini admitiu as contratações e disse ser resultado da necessidade de melhorar o atendimento à população. Na verdade, um deles trabalha como recepcionista e o outro como monitor do Núcleo de Inclusão Digital. Borges já adiantou que isso não é permitido por lei.

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