A Prefeitura de Franca deverá ouvir nos próximos dias o ex-secretário de Saúde da gestão de Gilmar Dominici (PT), Aníbal Moysés Simão Júnior, como parte de uma sindicância que apura sua responsabilidade no pagamento de horas extras e plantões para a médica Maria Del Carmen Grijalba durante três anos. A profissional foi demitida no final de fevereiro.
O dentista Simão Júnior ocupou o cargo de secretário de Saúde entre 1 e 29 de dezembro de 2000 e de 3 de janeiro de 2001 a 2 de abril de 2002. Hoje, presta atendimento na UBS do Parque Progresso e mantém um consultório no centro da cidade. É funcionário público concursado há 16 anos.
No final de 2001, mais precisamente em novembro, conduziu a médica Maria Del Carmen ao cargo de responsável técnica da Vigilância Epidemiológica de Franca no lugar de Vanessa Soares Oliveira, o que teria acontecido sem a nomeação formal da servidora. A exigência do posto previa dedicação em tempo integral à função.
Como forma de ocupar a vaga, condição para que o Ministério da Saúde liberasse recursos carimbados - que vêm com aplicação definida - ao município, a médica passou a receber 30 horas extras e por plantões ininterruptos sobre as duas folhas de pagamento que mantinha na prefeitura, já que era concursada e prestava contrato ao mesmo tempo em cargos diferentes. A atual administração prevê que foram pagos perto de R$ 146 mil a mais sobre os salários de Maria Del Carmen nos 37 meses em que ela ficou responsável pela Vigilância. Simão Júnior era quem ordenava o pagamento das horas e dos plantões, sempre de forma verbal, segundo funcionários ouvidos na sindicância.
Procurado pela reportagem, o dentista estranhou saber pela imprensa que será intimado pela comissão sindicante. “Não recebi nenhum papel, nenhuma convocação, o que me espanta bastante”, disse.
Segundo ele, o pagamento das horas foi feito sob uma condição especial, em que a médica, para ser diretora da Vigilância, precisou abandonar seu consultório e outras fontes de renda particulares. Diplomático, preferiu dizer que vê o processo aberto contra ele como um desencontro de informações, afastando qualquer conotação política para o caso.
O Ministério Público de Franca deu 30 dias de prazo (a partir de 3 de março) para que Maria Del Carmen Grijalba restitua ao erário os R$ 146 mil que teria recebido a mais sobre seus vencimentos. A médica teria entrado com um pedido de liminar para reintegração ao trabalho. A Prefeitura ainda não conhece o resultado desta ação.
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