A moda que veio da água


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Tilápias em tanque de fazenda de criação que comercializa o couro com empresa de Franca especializada na confecção de diferentes produtos
Tilápias em tanque de fazenda de criação que comercializa o couro com empresa de Franca especializada na confecção de diferentes produtos
Arnon Gomes da Redação Quando chegaram às lojas da cidade, os primeiros pares de sapatos produzidos com couro de tilápia despertaram curiosidade. De tão exóticos que eram, ninguém conseguia decifrar qual o material empregado na fabricação dos produtos. “Pensavam que eram feitos com couro de cobra”, brinca a microempresária Cláudia Cristina Martins Nunes. Há cinco meses, Cláudia, seu marido, o químico Edson Nunes e a colega Adriana Araújo gerenciam a produção de calçados, chapéus, bolsas e cintos, tudo feito com a pele de um peixe nobre: a tilápia. Para mostrar a qualidade dos objetos ambas são vitrine dos produtos e utilizam tudo que já é produzido em Franca com o couro do peixe: sandálias, bolsas e colares. Mas o caminho para as peles desses peixes virarem matéria-prima é longo. Tudo começa a cerca de 100 quilômetros de Franca, na Fazenda Santa Clara, em Guaíra (SP) - município com 1,2 mil quilômetros quadrados e cerca de 36 mil habitantes. Lá, todo dia tem pesca, sempre pela manhã. É a chamada “psicultura tuiuiu”. O proprietário da área, José Otávio Machado, 62, batizou sua criação de peixes com esse nome em homenagem à ave típica do Pantanal que também sobrevoa a fazenda. Por dia, são retirados, em média, 200 quilos de tilápia. “Depois, vão para o tanque e, em seguida, começa a fase de abate”, explica o fazendeiro. Nessa etapa, salienta Machado, são retiradas as vísceras e removidas as peles. Concluído o processo, a carne é congelada a menos 25 graus e posta nas embalagens para ser vendida, em filé, nos mercados da região. “Do peixe vivo, só 35% é filé”, ressalta Machado. Por isso, é uma carne cara. Sai, em média, por R$ 12,50 o quilo. Enquanto isso, a pele, fina e maleável, é levada aos curtumes, onde será transformada em couro. Cada camada tem de dez a 30 centímetros de comprimento. PRODUÇÃO E RECICLAGEM Da pesca à produção dos artigos, o trabalho envolve cerca de 100 pessoas. Segundo Adriana, os couros são totalmente reaproveitados. Nos curtumes, ficam por uma semana em um equipamento chamado “filão”, onde são amaciados, secos e perdem as escamas. A etapa seguinte corresponde ao tingimento e engraxe. É o momento em que ganham cor. “Do curtume, os couros saem para as fábricas com as quais trabalhamos”, explica Adriana. A vantagem da utilização do couro de tilápia na fabricação de artigos de uso pessoal está na reciclagem. Professor aposentado do curso de Agronomia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, Machado diz que o reuso evita que as peles virem lixo.

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