Sérgio Marques
Editor de Local
Rodolfo César
da Redação
A máscara caiu. Para conseguir aprovar a doação de um terreno no City Petrópolis para a construção de uma unidade voltada a menores infratores, a administração municipal e autoridades envolvidas, usaram uma estratégia que criou confusão entre os modelos de estabelecimentos existentes, o que amenizou possíveis críticas populares. O vice-presidente da Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), Mansuetto Henrique Lunardi, em entrevista ao Comércio da Franca, nesta semana, confirmou a construção na cidade de uma unidade de internação definitiva. Ele revelou que a empresa que construirá o prédio, que terá capacidade para abrigar 56 menores infratores, será conhecida no início de abril. A abertura do processo licitatório foi publicada no Diário Oficial do Estado na semana retrasada. A empresa terá entre 120 e 150 dias para concluí-lo, ou seja, em outubro ele deverá estar pronto.
Anteriormente, o anúncio era apenas de uma unidade do Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), instituição que atende jovens infratores, mas apenas temporariamente. Claro está que a estratégia de anunciar o NAI serviu para amenizar eventuais protestos. Unidades da Febem abrigam em última instância jovens de todo o Estado, apesar de ultimamente a prática priorizar os que residem próximos à instituição.
Segundo o chefe de gabinete da prefeitura de Franca, José Paschoal, nunca foi omitida a informação de que haveria uma unidade de internação no Petrópolis. “Inicialmente foi dito que seria o NAI, depois foi acertado que haveria a Febem também”, disse ontem. Apesar das afirmações, o próprio prefeito Sidnei Rocha (PSDB) dizia durante seus discursos que haveria apenas o NAI. A Febem nunca foi mencionada. Um dos primeiros anúncios oficiais que camuflaram a verdadeira unidade a ser construída foi uma coletiva no dia 31 de agosto do ano passado, no auditório do teatro de bolso “Orlando Dompieri”. A aprovação da doação do terreno aconteceu no primeiro dia de novembro de 2005 após dois meses de debates na Câmara de Vereadores. Foram dez votos favoráveis e cinco contrários. A polêmica estava na construção de um CDP (Centro de Detenção Provisória) no City Petrópolis.
Enquanto moradores da região achavam que isso seria prejudicial ao bairro, o governo municipal alegou ser esta a única área disponível. A instalação do NAI, que não é de responsabilidade do governo do Estado e sim de uma ONG ou instituição indicada pela prefeitura, não recebeu grandes manifestações. O projeto foi aprovado e a área oferecida ao Estado. Em nenhum momento se falou em construção de uma unidade da Febem anexa ao NAI.
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