Além do dólar, a concorrência voraz que o calçado chinês representa consiste em outra explicação para a queda de 33% nas exportações francanas de calçados. “Atualmente, um par de sapato produzido na China chega ao mercado internacional cerca de US$ 5 mais barato do que o brasileiro”. É o que diz Ivânio Batista, diretor do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca.
De acordo com Ivânio, o produto chinês custaria então cerca de US$ 15. Esse preço se refere a calçados de couro. Quando se trata de material sintético, o preço não ultrapassa a marca de US$ 5.
Diante de um concorrente praticamente imbatível, a solução encontrada pelos calçadistas tem sido agregar valor ao produto para vendê-lo para um segmento do mercado diferente do buscado pela China. Essa estratégia ainda justificaria o aumento nos preços dos calçados. Mais qualidade é igual a maior valor. “Como líder do setor, afirmo que temos que continuar tentando agregar valor e diferenciar nosso produto”, diz Jorge Félix Donadelli, predidente do Sindifran.
Algumas empresas francanas já estão buscando esse caminho. Urias Cintra, co-proprietário da Calçados Democrata, acredita que esse é um dos caminhos. “Investir no design, no material, na qualidade, é um recurso para não perder mercado internacional”, diz.
Tornar o sapato francano mais qualificado é a fórmula mágica repetida por nove em cada dez empresários da cidade. Mas apesar de prometer solução para o problema francano, a saída não é garantia de sucesso. O próprio presidente do Sindifran, apesar de achar que “se não houvesse empresas agregando valor aos produtos, não haveria mais exportações”, ressalta um ponto de advertência: “se você faz sapato barato, esbarra na China; se faz com valor agregado esbarra na Itália”.
O aumento no valor dos calçados brasileiros aproxima os preços dos patamares dos sapatos italianos. Ivânio Batista diz que o mercado internacional é cada vez mais exigente em relação a reajustes. “O comprador questiona cada dez centavos de aumento”. E, segundo ele, se for para pagar mais, não é raro o cliente preferir um “made in Italy”. “A marca italiana é muito forte. Tem tradição”, disse, lembrando que o preço médio do par de calçados italiano hoje é de U$ 28.
Ainda assim, Ivânio não é pessimista. Ele vê outras particularidades a serem exploradas pelo setor calçadista francano. “Franca pode aceitar encomendas menores que, muitas vezes, são desprezadas por outros pólos”. O diretor do Sindifran afirma que a época dos grandes pedidos, de 50 ou 100 mil pares acabou. “Produzir encomendas de 500 ou 1.000 pares pode ser um diferencial que venha a manter a cidade”.
“Vender um pouquinho para cada um” já tem sido a solução encontrada pelo Calçados Democrata, por exemplo. O co-proprietário da fábrica, Urias Cintra, diz que, a diversificação dos compradores, pode ser uma alternativa viável para manter a produtividade. “A intenção é não abaixar a produção. Nós estamos trabalhando muito para sobreviver”, revelou o empresário.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.