‘O dólar está acabando com a gente’, diz Ivânio


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O desespero que a queda no preço do dólar causa nos calçadistas francanos pode ser resumida na frase de efeito do diretor do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, Ivânio Batista: “O dólar está acabando com a gente”. Ao contrário do empresário retratado nos textos da página ao lado, a maioria do setor calçadista pena com a atual realidade cambial. Com a baixa da moeda americana, que chegou, no dia 2 desse mês a ser comercializada por R$ 2,11 - o menor preço nos últimos cinco anos - as exportações dos calçadistas de Franca sofreram, e ainda sofrem, dano significativo. Em janeiro de 2005, as indústrias de Franca exportaram 821.690 pares de calçados, o que correspondeu a US$ 14,55 milhões em vendas. Em janeiro de 2006, o número de pares caiu para 542.670, resultando em US$ 11,32 milhões em negócios. Não bastasse o desempenho em número de pares vendidos que teve redução de 33%, a queda no valor da moeda americana derruba o lucro do calçadista que comercializa em dólar. A solução encontrada pelos empresários, segundo o presidente do Sindifran, Jorge Félix Donadelli, vem sendo reajustar o preço do produto. “Se o dólar cai, nos obriga a aumentar o preço do calçado”. Os números apontam um cumprimento à risca das palavras de Donadelli. Em 2003, o preço médio do sapato francano vendido fora do país era US$ 15. Essa quantia apresenta escala de crescimento gradativo desde então e atingiu os US$ 20,86 em janeiro deste ano. Mas o aumento não é suficiente para compensar a perda. Em março de 2003, a cotação do dólar estava em R$ 3,44. Assim, cada sapato vendido representava R$ 51,60. Hoje, cada par comercializado com o exterior vale R$ 44,43, mesmo custando mais caro em dólares (veja quadro nessa página). O presidente do Sindifran acha que a política cambial praticada atualmente no País é “irreal”. “Nosso grande concorrente é o Ministério da Fazenda. Se estivéssemos com o dólar em um patamar aceitável, nosso sapato estaria competitivo no mercado internacional”. De acordo com Donadelli, caso a moeda americana continue se desvalorizando, a situação das indústrias de calçados de Franca pode chegar a um ponto crítico. “Se isso acontecer, não há o que fazer. Vamos ter que diminuir a produção ou até encerrar as atividades”. Disse ele, reforçando que subir demais o preço significa perder competitividade frente ao calçado italiano.

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