Caminhoneiro, sapateiro e comerciante. A profissão do marido de Rejane Fernandes, 37, depende do emprego que ele ocupa no momento. Essa incerteza persegue toda a família. Eles têm três filhos, o maior com 9 anos. “Produzir ovos de chocolate foi a forma que encontrei para ajudar a aumentar a renda de casa. Há pelo menos quatro anos faço ovos para vender e assim podemos passar uns meses mais tranqüilos”. Se o ganho é muito? Ela diz que não, antes de revelar trabalhar com a expectativa de “tirar” mais de mil reais passada a Quaresma. “Só a certeza de que teremos ao final destes quarenta dias um dinheirinho a mais, já ajuda”, disse. Problemas? Ela diz só ter um: “meus filhos adoram chocolate, como qualquer criança, e passam até mal por comê-los em excesso”.
É isso que Liane Machado Cintra, 30, tenta evitar. Sua paixão por chocolate foi estimulada desde pequena e hoje ela come pelo menos um bombom por dia. Na adolescência ela começou a ajudar sua mãe, Maria Inácia Souza, 51, na preparação de bombons e doces caseiros. A atividade assegurava um aumento na renda da família. Liane lembra que o trabalho no próprio lar dava tão certo que, ao completar 16 anos, conseguiu comprar uma mobilete, após juntar uns trocados. Do preço ela não se recorda. “Fazia uma atividade com amor e que passou a dar lucro”, conta.
Mesmo depois que virou professora, Liane não deixou sua paixão de lado. Sempre que pode, faz doces e chocolates e ainda mantém uma pequena freguesia. “Há algumas pessoas que, às vezes, me procuram. O ganho é pequeno porque faço apenas para os mais conhecidos, mas já é algo”. Por isso, o período da Quaresma sempre foi especial. Além das penitências (acredite se quiser, ela está fazendo penitência de chocolate), serve também para assegurar um rendimento a mais. “Houve um ano em que eu e minha mãe conseguimos produzir uma tonelada de chocolates para a Páscoa”, lembra. “Foi o nosso recorde”.
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