Celas de contenção, camisas de força e choques elétricos – verdadeiros horrores que fazem parte do imaginário popular quando se pensa em internação psiquiátrica – não existem mais em hospitais como o Allan Kardec. Mudanças na lei, em nível federal, tornaram o tratamento mais humano e menos doloroso, não só para o paciente como também para os seus familiares. Nos últimos dez anos, a partir da chamada Reforma Psiquiátrica, mudanças significaticas transformaram o atendimento no Allan Kardec, tornando o tratamento dos pacientes mais humano e eficiente, embora casos mais graves, de indivíduos com surto psicótico, contem com um setor apropriado.
Atualmente, o hospital mantém o setor de Intercorrência, destinado aos casos em que o paciente chega em surto, representando perigo potencial para si mesmo ou para os outros. É como se fosse a UTI de um hospital, onde a vigilância se faz necessária. “Se houver necessidade de isolamento por algum período, há salas específicas para isso, mas não temos celas.
Nesse setor as camas são chumbadas ao chão porque podem se transformar numa escada ou numa arma para aquele paciente mais violento. De toda forma, a contenção se dá mesmo é pelo efeito medicamentoso. Da década de 90 para cá, a indústria farmacêutica desenvolveu uma série de medicamentos altamente eficazes para pacientes em surto”, explica Lázara Maria Bernardes, assistente social e coordenadora do projeto terapêutico do hospital.
Obedecendo aos princípios do SUS, com o qual mantém convênio e do qual recebe repasses, a instituição atende, além de Franca, 23 municípios da região. “Mas o hospital psiquiátrico, de acordo com a Reforma Psiquiátrica, não pode ser a porta de entrada para pacientes do SUS, de modo que é sempre realizada uma triagem no setor de Emergência Psiquiátrica da Santa Casa, que, por sua vez, nos faz os encaminhamentos, em casos de necessidade de internação. A Santa Casa também é quem controla o número de vagas. Todos os dias nós repassamos o número de altas e eles é que emitem as guias para novas internações”, comenta o dr.
Cleomar Borges de Oliveira, administrador da instituição centenária, fundada no início do século passado por José Marques Garcia.
Em internações particulares, os procedimentos são realizados no próprio hospital. Outros convênios também possuem procedimentos que podem ser atendidos pelo Allan Kardec. “Com esse contingente e com a estrutura atual, as internações têm de ser muito rápidas, de caráter emergencial. É difícil propor, de fato, tratamento ao paciente do SUS. Os casos agudos (crises) que temos aqui são reincidências, ou seja, pacientes que já passaram por aqui várias vezes”, conta Lázara.
HOSPITAL DIA
O Hospital Dia, denominado Sinapse, instalado em prédio anexo, atende a casos de egressos que precisam ter medicação controlada para não reincidirem nos surtos. “Os pacientes vêm, recebem as refeições, participam de psicoterapia e das oficinas, tomam os medicamentos e depois voltam para as suas casas”, explica o médico.
Este tipo de atendimento torna ainda mais humano o hospital psiquátrico como instituição. Nas décadas anteriores à de 80, uma série de hospitais psiquiátricos do País se notabilizava pelos métodos cruéis de tratamento, que não permitiam o restabelecimento do paciente. Na mesma época, o Allan Kardec já se tornava referência pelos métodos de tratamento e atendimento, buscando alternativas mais eficazes e menos dolorosas.
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