Marco Felippe
da Redação
O setor calçadista de Franca vive nestes primeiros meses de 2006 um cenário sombrio. A perda de competitividade nas exportações, em razão do real valorizado, faz com que as fábricas diminuam a produção e conseqüentemente os postos de trabalho. A queda é perceptível em toda a sociedade e de forma especial nas entidades assistenciais que dependem do setor. A Sociedade Franca de Instrução e Trabalho para Cegos, na Vila Aparecida, é uma delas.
Fundada em 1957 para atender o portador de deficiência visual, a instituição, sem fins lucrativos, tem 60% da verba que a mantém oriunda do serviço de cartonagem.
Segundo o presidente da entidade, Sérgio Francisco Lima, desde dezembro de 2005 o faturamento obtido com a venda das caixas tem queda freqüente. Com isso, os projetos desenvolvidos no local foram afetados. Em novembro do ano passado, por exemplo, dez empresas terceirizavam a confecção das caixas para os deficientes. Passados três meses, seis delas pararam com a parceria. Das restantes, apenas uma é de grande porte. “Além de cair o lucro com a cartonagem, sofremos também com a falta de doações. A cidade inteira é atingida pela crise”, disse.
No total, 13 pessoas trabalham na cartonagem e ganham por peça produzida. “São deficientes visuais que se aposentaram por invalidez”, lembrou Lima. De acordo com o balanço mensal da sociedade, a produção caiu de 267 mil caixas em novembro de 2005 para 162 mil em fevereiro deste ano, o que proporcionou uma redução de cerca de R$ 5 mil nos cofres da entidade. Durante o período, os gastos da sociedade (com água, luz, funcionários, manutenção) se mantiveram em R$ 16 mil ao mês.
Para a secretária do local, Maria Orsini, a produção tem sido pequena e em alguns dias a oficina fecha por falta de serviço. “É triste vê-los (os deficientes) parados. Se o problema persistir, a sociedade não terá como se manter”, explicou. Diante das dificuldades financeiras, outro problema enfrentado pela diretoria é em relação ao asilamento de oito deficientes. Eles moram no local há mais de 30 anos e não contribuem com a sociedade (veja box). Além da receita com a cartonagem, a sociedade, que atende mais de 250 portadores de deficiência, sobrevive graças a doações mensais de sócios, promoções, como rifas, pizzas e feijoadas, e uma verba municipal. Entre os cursos e atividades desenvolvidos estão artesanato, braile, informática, educação física, orientação e mobilidade (bengala), brinquedoteca, biblioteca, audioteca e área de lazer com piscina e quadra.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.