Sapateiros e patrões acertam reajuste


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Após mais de 40 dias de negociações, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados e Vestuário de Franca e Região e o Sindifran (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) entraram, na tarde de ontem, em um acordo salarial para 2006. Apesar da crise que assola o setor calçadista, ficou decidido em assembléia que os sapateiros terão um aumento de R$ 40 no piso salarial (que vai para R$ 460), 80 horas de participação nos ganhos das empresas e abono escolar anual de R$ 120, válido para 2007, além de outros benefícios, como contrato de experiência de 90 dias. O acerto foi feito com participação maciça dos trabalhadores e será assinado na segunda-feira, quando os dois sindicatos se reunirão para acertar a redação da convenção coletiva. Diferente da campanha realizada no ano passado, os sapateiros não precisaram ir para as ruas reivindicar aumento e souberam compreender as dificuldades enfrentadas pelos empresários em relação à queda do dólar e a baixa nas exportações. “Tivemos uma negociação profissional, clara e de bom nível. Eles (sindicato dos sapateiros) souberam reivindicar e entender nossas limitações. Foi uma vitória da classe”, avaliou o presidente da Sindifran, Jorge Félix Donadelli. Para ele, mesmo diante do cenário competitivo e da dificuldade de elevar o preço médio do par do calçado, as empresas terão condições de cumprir o acordo. “Nosso objetivo era de ter finalizado as negociações em 28 de fevereiro, mas foi preciso um pouco mais de tempo para estudarmos todas as possibilidades”, disse. Antes, os trabalhadores pediam um reajuste de 15% no piso salarial da categoria, o que elevaria o valor de R$ 420 para R$ 570. Mas o presidente do Sindifran manteve posição irredutível. Durante as negociações, uma das contrapropostas dos empresários foi de um aumento de 2% retroativo a fevereiro. Segundo Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, o cenário é adverso em relação aos anos anteriores. “Não tínhamos como fazer grandes reivindicações, pois não havia como justificar esses pedidos”, alegou. No entanto, Ribeiro considerou o reajuste favorável e disse que lutará a favor de melhorias para o setor. “Se precisar ir à Brasília ou São Paulo, nós iremos. Além disso, a administração municipal precisar entrar nessa briga para manter os empregos da cidade”.

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