Arnon Gomes
da Redação
Durante a Quaresma, todas as quartas e sextas-feiras são dias especiais para a dona de casa Maria Isabel Cintra Campos, 39, frequentadora da paróquia São Sebastião, em Franca. Na horas das refeições, não coloca carne vermelha à mesa de jeito nenhum. Só serve peixe à sua família. Quando pensa em que tipo de bebida servir, nada alcoólico, especialmente vinho. “Procuramos deixar de lado tudo que lembre o corpo e o sangue de Jesus Cristo”, diz Maria.
Assim como para Maria, a Quaresma é um período especial para mais de 100 milhões de brasileiros que se dizem católicos, conforme o censo de 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Sorte dos donos de peixarias que, nos 40 dias que antecedem a Páscoa, têm sua época mais promissora.
Comerciantes de peixarias da cidade ouvidos pela reportagem do Comércio trabalham com projeção de 30% de crescimento nas vendas em relação aos demais meses, quando comercializam, em média, 2 mil quilos de peixes. Nos supermercados, a variação fica entre 700 e 1,4 mil quilos vendidos mensalmente. Na Semana Santa, a expectativa é de ganhos ainda maiores. O volume comercializado cresce até 60%. “Na quinta e Sexta-feira Santa chegam a se formar filas na frente dos estabelecimentos”, garante a gerente da Pescave Comércio de Peixes, Adriana Bolela, com a experiência de quem está há 15 anos no ramo.
Nas geladeiras de supermercados e peixarias, opções não faltam. Bagre, mandiaçu, mapará, merlusa, cascudo, pacu, salmão e piapara figuram na lista dos mais procurados pelos francanos. Variedade e consumo alto, porém, não são sinônimos de preços baixos.
De acordo com Sirlei, o valor do pescado ainda não sofreu alterações desde quando começou o ano. O quilo de bagre, por exemplo, está a R$ 4,90, enquanto o de filé de merluza, importado da Argentina, custa cerca de R$ 10,90. O bacalhau, bastante requisitado durante a Quaresma, também mantém o preço. O quilo é negociado, em média, por R$ 25,90. “Como a produção tem sido pequena e o consumo nesta época do ano cresce vertiginosamente, a tendência dos preços é subir em aproximadamente 10% até a Semana Santa”, alerta a proprietária da Peixaria Tambaqui, Sirlei Bernadineli.
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