O depoimento do ex-secretário de Saúde de Franca na gestão do prefeito Gilmar Dominici (PT), Aníbal Simão Júnior, é quase risível, quando, em duas oportunidades, disse que tinha “quase certeza absoluta” de que não havia nomeado Maria Del Carmen Grijalba para o cargo de diretora da Vigilância Epidemiológica e “quase certeza absoluta” de que ela exercera o cargo.
Mesmo sem muita certeza de nada, era ele quem autorizava verbalmente o lançamento mensal das horas extras e dos plantões nas fichas da médica. Nos últimos meses, o salário beirava os R$ 10 mil; em junho de 2004, quando entrou em férias, seu contracheque foi de R$ 15.568,51.
Outros demonstrativos anexados ao processo que estão no MP mostram que a médica recebia por horas extras que apontadas e autorizadas por Simão Júnior tinham que, ao final das contas, chegar a 30 em cada um dos cargos que efetivamente ocupava.
“Houve meses em que essa médica não dormiu, não teve nenhum outro tipo de atividade”, disse o secretário de Governo Odair Tristão. “Um conluio entre os secretários de saúde permitiu que essa imoralidade acontecesse”.
A reportagem tentou ouvir a médica Maria Del Carmen ontem no início da noite.
Em sua casa, às 19h20, uma pessoa disse que ela estaria praticando exercícios e que atenderia em dez minutos. Às 19h35, em nova chamada, ninguém atendeu.(PG).
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