Luta diária: reencontrar o próprio filho


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Tereza Cristina Fernandes Alves: esperança a mantém viva
Tereza Cristina Fernandes Alves: esperança a mantém viva
Há quase dois anos a sapateira Tereza Cristina Fernandes Alves, 44, levanta-se da cama onde dorme mal com a mesma esperança: ouvir a porta se abrir e ver seu filho mais novo, David Antunes Alves, que completou 16 anos no dia 4 de março, aparecer. O jovem sumiu no dia 22 de março de 2004 e desde então a mulher luta para encontrá-lo. Não se sabe o motivo do desaparecimento e a investigação da polícia não conseguiu pistas. Esperar o tempo passar na expectativa de um reencontro é uma batalha que ela enfrenta diariamente. “Dizem que o tempo é o melhor remédio, mas nesse caso é o contrário”. Por isso mesmo, o sentido da vida, ela apontou, é esperar a volta do caçula. “As pessoas dizem que sabem o que eu estou sentindo, mas ninguém pode imaginar”. Mãe de três filhos, ela está casada há 26 anos e ainda cuida de dois sobrinhos. “Eu durmo e acordo com a esperança (de encontrá-lo)”. Já fiz reportagem na TV, rádio e jornais impressos. E nada. A ausência de David rendeu à mulher um tratamento com antidepressivos e consultas com psiquiatras. O apoio médico não é suficiente. Nesta semana ela parou, por decisão própria, de tomar os remédios. “Eu tomo, mas não consigo esquecer o problema”. O ânimo para lutar pela localização do filho, e acreditar que isso possa acontecer está alicerçado no apoio familiar e na religião. Todos os dias ela faz orações perto de uma foto do adolescente, que fica em um altar em seu quarto, entre as imagens de Santa Rita e Nossa Senhora Aparecida. A lembrança dos hábitos de um David carinhoso, como ela mesmo definiu, ajuda a combater a saudade. A prova de que continua forte é um sorriso, que lhe assoma o rosto após expressar o desejo de que a qualquer hora ouvirá o adolescente batendo na porta e entrando feliz em sua casa.Como nos bons tempos, quando a dor não habitava o seu coração de mãe. (RC)

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